As vertigens do tempo

Em sessenta segundos vertiginosos o tempo
vomitou uma hora tão periférica e eloquente
Causou distúrbios a cada eco que fremindo
deixou com náuseas um lamento tão pertinente
Em movimentos sincopados o dia acode e seduz
a apsíquia desta escuridão que se esvai num fanico flato
Ali desmaiou o silêncio flatulento imperturbável e abstrato
Alucinado vagueou pelas caleiras anónimas de um afago cordato
Na venustidade de uma carícia substantiva e elegante vibram as
palavras aconchegadas ao mais erudito e gracioso eco exsudado
Embelezam a mansidão e o gracejo de cada bramido ali indultado
Seu glamour paparica a luz provinda de um esfoliante segundo inato
Frederico de Castro
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