Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 9
9
Ah meu olhar desperto para nada
meu corpo inerte no sofá
o teto nada me diz e eu o atravesso
minhas mãos jogadas seguras pelos meus braços
não morro disso
nenhuma hemorragia porque caí me fez cair mais ainda
eu estou de olhos pregados no teto
parei de usar a palavra não
sim para não te atendo
sim para não quero
sim para mim sim
sim para comer demasiado as palavras
eu estou em silêncio e algumas delas fazem sentido sozinhas
a mortadela tem saber de morte embutida
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