CONFISSÃO
Não vou - como soía acontecer -
de peito aberto, passos firmes, mãos
prontas a tratar todos como irmãos,
olhos cegos de tanto bem querer.
Agora eu não sei mais o que dizer;
não sei onde pisar por esses chãos;
sinto meus pensamentos tolos, vãos;
e a vontade de amar virou sofrer!
Aquele riso doce de ternura
parece que não cabe em mim agora;
fiquei estranho, sou outra criatura.
Mas não fui eu (fui eu?) quem foi embora,
quem me deixou no chão foi a ventura.
E sofro de uma dor que me devora.
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