Túmulo do dia
Cada noite é cada noite,
Uma a outra não tem.
Entrega-se ao dia
Enaltecendo-o, já que vem.
Agora, quase morta,
Ela ainda vem tatear.
Uma nesga de vida
Do dia tenta libar.
Quase, quase sem vida,
Ainda tenta imigrar.
Suspiros para o amanhecer,
Ainda lhe resta conceber.
Da sombra és a dona.
Do pecado és a redoma.
Da luz és a conclusão
Do dia és a anunciação.
Enide Santos 27/07/14
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