BUCAL DO VENTO
No bucal do vento,
escorrem escorpiões
Soltam perdigotos de raiva.
labaredasdescontroladas em palha seca.
Fronteiras de acabamentos
brilhantes de ego.
Insuflado no vento do borboto
onde assenta
o bucal do vento.
Se fosse paiol
faria chover pólvora
seca, na cabeça
do bucal sedentário
cigarro de queimadura lenta
se fosse a labareda
carbonizava-lhe o lábio
de ventríloquo assanhado
faria ruir vigas mestras
no químico adulterado
das papoilas
choveriam borbotos
até ao limite da visão
e segmentos de escorpião
em que o veneno,
depositado nas línguas
que sopram o lamento,
se trasladaria para
o bucal do vento.
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