recorro aos ancestrais

quando meu pai me conta sobre suas ascendências indígenas
indago à natureza qual minha tribo
ela então me diz que minha raiz é o encontro silencioso
das folhas caducas na floresta e uma pantera negra no escuro
na força do xamã curandeiro
muito sábio e poderoso feiticeiro

quando meu pai me conta sobre suas ascendências europeias
portuguesa francesa e espanhola 
sinto-me acolhida em sua companhia
e os causos assombrosos do dia a dia
as bruxas vindas de outrora à alma da família
sei também que posso criar refúgios no astral
quando estou sonhando em minha cama
e sou protegida com a linha das mãos em pentagrama

quando meu pai me conta sobre suas ascendências africanas
infelizmente desconhece qual país ou tribo 
dele e de minha mãe que é negra e já falecida
mas só eu sei a relação que este povo tem com minha vida
fisionomia cabelo e sobretudo  a cor e também a dor
sem nem pedir justiça na injustiça do mundo vem xangô
assim consigo dar mais um passo à conscientização
jogar capoeira levantar zumbi
não necessariamente no sentido literal
mas de resgatar memórias recorrer à história
de nossa gente real do nosso povo ancestral

quando meu pai me conta sobre macumba 
candomblé orixás axé aruanda e umbanda
permito-me a entrega a vertigem
aceito e agradeço as entidades de origem
sinto acima de tudo que nasci do amor
da comunhão das forças que me guiam
e me permitem acima de tudo
seguir adiante com entusiasmado sorriso
e uma boa dose de alegria.
(kátia surreal: 12/9/2026)








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