Nas asas da surreal-idade

Nas asas da surreal-idade
Lancei-me fora ao vento
Tendo a esquerda o silencio
E à direita mortas verdades...
N'alma lembranças acesas
No olhar o sonho celeste...
Levo no coração agreste
Rumorejante vozerio

À frente, em brilho noturno
Única silenciosa e bela
Reinando sobre o vazio
Sorri-me a estrela-dalva
Emoldurada pela janela

Ao meu convite e da mata
Que do véu negro ela encanta
Ajoelhada diante dela
A noite fica parada...
E o silencio a cantar se levanta
No coaxar, nos silvos e nos pios,
Soltando-se em risos cálidos;
Tudo petrifica o momento
Escondido na vésper azulada...
E eu sem pensamento
Adormeço em sua luz... ao relento.
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Comentários (3)

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2012-07-14

Linda poesia. Parabéns! Margarida Cabral

2011-09-03

QUERIDO POETA :LENDO TUA POESIA,VEIO-ME UMA INTERROGAÇÃO:POR QUANTO TEMPO AINDA TEREMOS POETAS COM TAL CAPACIDADE,DE NOS ENCANTAR COM SEUS VERSOS?POESIA PURA,AMIGO!

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2011-09-03

"E o silêncio a cantar se levanta/ No coaxar, nos silvos e nos pios"... Uma imagem de rara beleza poética.