Depois
Sempre de uma coisa
outra coisa há.
Depois da chuva
ternura de barro molhado.
Depois da lua
espera de horizonte estrelado.
Depois da rua
silêncio de quarto fechado.
Depois da rosa
perfume de espinho quebrado.
Depois da hora
tédio de ponteiro parado.
Depois do mar
desejo de rio salgado.
Depois do ar
inveja de bicho alado.
Sempre de uma coisa
outra coisa há.
Segue-se assim
o mundo a girar.
Estacionário apenas
o poeta andrajoso
mendicante de existência
nas coisas,
sem que, depois de si mesmo,
outra coisa possa haver.
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