Alheia
Querido, cujo nome eu esqueci,
nas dobras da memória envelhecida,
sem ti, já não suporto a longa vida,
pois custa-me viver, sem tê-lo aqui,
a segurar-me as mãos com frenesi,
na ânsia que uma vida consolida
e deixa a alma lânguida e aquecida,
e dá-me a plenitude que aprendi.
Evoco a tua face,mas não lembro;
ainda é primavera e já setembro
colore os meus sentidos com perfumes...
Não sei, ó meu amor, por onde andas
e as asas das lembranças, hoje implumes,
circulam pelo campo, entre as lavandas.
Nilza Azzi
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