OS MORTOS
Em que os mortos pensam, nessa noite
Sem fim em que se deitam e que se perdem?
A quem os mortos amam nos seus sonhos
Isentos de sentido e de sabores?
A morte priva os mortos de carpir
Mas rouba-lhe as mãos de trabalhar.
Se os mortos não tem boca pra sorrir
Também lhes faltam olhos pra chorar.
Os mortos não entendem ontologia
Os mortos não vasculham bibliotecas
E nem recitam versos ao luar
O coração dos mortos é um castelo
Sem hóspedes e sem anfitrião
Onde a saudade nunca pode entrar.
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