Soneto da amada

A noite escura e o céu repleto e lúdico
brinca na tarde e o crepúsculo irrompe
das mãos envelhecidas quanto fico
ávido e trêmulo enquanto se rompe:

a tarde triste cheio de esperança.
Vejo-te assim como uma manhã triste
beijo quando meu coração balança
as pálidas mãos quando estás distante.

Tu que não vieste à minha procura
e desta procura não me encontraste
que farei eu desta nossa vã procura?

A noite ainda é escura e o céu desde cedo
habita à tarde que não se envelhece
porque nada fica quando anoitece

Tiago B. Lyra
in " A lira desgovernada''
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