Minha avó eu tenho medo
Minha avó, também tenho medo, vó
do vento e do frio. do sonho vivido
Tenho medo desse quarto sem luz,
do ar estático, dos móveis também.
Deste sono que alarma as sombras,
desta realidade não contada,
tenho medo vó, dos carros que passam
da alvorada, do rio plácido e bravio.
Não pense vó, que meu pensamento voa
sem ter sido apreendido na gaiola, não,
do ínfimo minuto, dos salões e cristais
a luzir sobre as cortinas, sobre as fumaças...
Tenho medo, de ser somente eu, minha avó
E quando a porta se fecha, tenho medo também.
dos chinelos, dos rostos, dos jarros molhados
em que as raízes afundas os seus olhos ausente, vó.
Tenho medo de atravessar a rua, vó, sabia?e vê profundo
dentro de mim, dentro das multidões confusas , o ermo,
o rude espantalho, sem a sua cor verde de oliva, vó.
Mais o meu maior medo minha avó, é de não ter sido
capaz de beijar teu rosto ainda, mesmo que os anjos
não tenha conversado com os anjos do senhor, vó.
Tiago B. Lyra
in " A lira desgovernada"
do vento e do frio. do sonho vivido
Tenho medo desse quarto sem luz,
do ar estático, dos móveis também.
Deste sono que alarma as sombras,
desta realidade não contada,
tenho medo vó, dos carros que passam
da alvorada, do rio plácido e bravio.
Não pense vó, que meu pensamento voa
sem ter sido apreendido na gaiola, não,
do ínfimo minuto, dos salões e cristais
a luzir sobre as cortinas, sobre as fumaças...
Tenho medo, de ser somente eu, minha avó
E quando a porta se fecha, tenho medo também.
dos chinelos, dos rostos, dos jarros molhados
em que as raízes afundas os seus olhos ausente, vó.
Tenho medo de atravessar a rua, vó, sabia?e vê profundo
dentro de mim, dentro das multidões confusas , o ermo,
o rude espantalho, sem a sua cor verde de oliva, vó.
Mais o meu maior medo minha avó, é de não ter sido
capaz de beijar teu rosto ainda, mesmo que os anjos
não tenha conversado com os anjos do senhor, vó.
Tiago B. Lyra
in " A lira desgovernada"
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