Longe da vista...

Somente existe um vazio
quando deixamos de preencher
todo breve instante
que espreita
à coca dos nossos seres
apressando-se iminentes
rumo a cada enamorado
tempo atrevido
onde nos vinculamos vagabundeando
à mercê da vida tão apetecida
e reconfortante
Somente existe um poema
quando remexo todo meu
léxico expectante por
novas palavras exultantes
encorajando nossas melancolias
quase inquietantes
rimando em ardentes versos corteses
exuberantes
Longe da vista
somente aplaco todas as iras
do mundo
quando compreendo por fim
como explanar em oração
toda a fé que aperto de esperança
em minhas mãos
Longe da vista
revelo no tempo poético
toda a sentença de vida
que jaz em subtis
gomos de sedutora atracção
Longe da vista
nos mesmos rumores e provérbios
que sustentam o naipe de horas
adormecidas em mim
te deixo só o conforto
em cada minuto de paz
onde mergulhamos
pra sempre todas as conflagrações
deixadas no fóssil dos tempos
Longe da vista
concluo um pacto com minha poesia
bebendo em cada breve silêncio
as cogitações do tempo
contemplando com afabilidade
nossas felizes
e fulgurantes comemorações
sossegando na súbita hora
o amor rugindo em alucinações
Frederico de Castro
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