O POETA E O VINHO – Rafael Rocha - Do livro “Meio a Meio” (1981)

É uma coisa bem própria dos poetas
O beber vinho amargo como a vida
E amar a própria vida como um vinho
Na amplidão de todas as mulheres
É uma coisa muito própria dos poetas
Perder as forças em todo amanhecer
Ouvir o silêncio precisando de escuta
Ao sabor do sangue de uvas entre os lábios
Beber a vida é coisa própria de poetas
Escutar pela saliva um aroma puro
De noites amplas onde o vinho é uma música
Que torna um instante de hoje em dois instantes
O poeta é um bêbado que sorve o hoje
Não discute os problemas do amanhã
É uma estrela mergulhada em um cálice
Que a morte beberá após a vida

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