A NOITE – Rafael Rocha – Do livro “Marcos do Tempo” (2010)

A noite pede o sonho a quem dela se enamora
A quem dela faz o prazer antes da aurora
Nascer e incrementar o ritmo do amor
Esse delírio em um corpo feminino
Nascido do cupido com jeito de menino
Cuja seta alcança e fere com ardor.
A noite é um feitiço onde relampeja a vida
E mata desejos febris da alma suicida
Misturando frieza e calor numa paixão
Altera o destino do corpo de um triste
E mostra o além que dentro dele existe
Máximo de sonho dentro da amplidão.
A noite traz anseios de fêmea desgarrada
Piscando estrela a dizer-se apaixonada
Num beijo, numa cerveja, num ócio incrível!
Espantando a poeira da ilusão no peito humano
Cantando a lua e o plágio de um desengano
Quando tudo se lhe pensava impossível!
À noite os poetas desenrolam versos loucos
E nesses desvarios mergulham feito moucos
Em suas próprias existências buscando iludir.
Somente à noite nascem os versos desvairados
Concorrendo com as rimas dos aedos condenados
À sina de sonhar, amar, viver e o tempo usufruir.
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