CANTIGA DO AMOR EFÊMERO
Um crime, se me permites,
leitor, revelar-te-ei:
a mais linda das mulheres
eu, insensato, magoei.
Por breves, diáfanos dias,
foi-me ela a Sherazade
que, em sonhos de mil e uma noites
corporifiquei.
Amou-me. Também a amei.
Mas sem desculpa plausível,
fleumático, inacessível,
ontem a noite, (que noite!)
assim, sem mais e sem menos,
a diva, a lívida Vênus,
eu para sempre deixei.
Por certo que chora, ela,
como estrela de novela,
no cenário em que atuei.
O "script" não trazia
tão abrupta cisão.
O meu velho coração
já, por fim, petrificou-se,
desiludiu-se, não sei...
Já, por fim, pesa-me, imensa,
essa aonírica noite
na qual, mesmo à luz dos dias,
para sempre me embrenhei...
(Da coletânea "Estado de Espírito", de Sersank)
Comentários (1)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Sergio de Sersank
Autor
2012-04-16
Você pode ler os poemas de Sergio de Sersank visitando o blog literário "Estado de Espírito" - http://sersank.blogspot.com Ele seu estado de espírito. Seja mais um seguidor!
Outros poemas de participantes
De ser
navegante de si impunemente nade todos os mares do que sente dê-se ao quanto ancorado na alma derramando na vida todas as falas seja como…
AurelioAquino
Perder-se do sol
Onde o cheiro do esquecimento ?
Onde soa mais real o eco
daquela canção que atormenta:
nas pedras do teu ouvido ?
no…
Darlan de Matos Cunha
Falta algo no conceito ?
Falta algo ? . Onde estavas se na época maior aqui não estavas ? Perdas e ganhos à mão pedras de sal no encontro pedra de açúcar no c…
Darlan de Matos Cunha
A Lua e o Girassol.
Para comemorar esta noite , a lua que me apresenta é monumental. Me clareia entre as árvores de meu quintal. Sua cor é de um girassol , …
Ademir D.Zanotelli *Poeta*