Natal
A um deus sanguinário que se alimenta d’almas;
Escravizado homens em sua própria ignorância;
No teu altar sujo de sangue e restos mortais;
Deixo as entranhas de meus inimigos.
No doce almejo da minha carne não ser alimento;
Dessa vontade atroz de saciar teus instintos;
Rebaixo-me à imoralidade desta nossa maldade;
Na dor de inocentes, garantir satisfação.
Com o passar do tempo, camufla-se a burrice;
Renego a dor, para trazer a felicidade;
Sem minha vontade para agradar a divindade.
Mas o tempo passa e camufla-se outra vez;
O egoísmo do medo agora se defez;
Agora é a ambição, diluído no sangue, a alma refez.
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