Reduzo o som da vitrola moderna a tocar

com meus dedos do século XXI.

Como se com a mão impedisse o chocalho de chacoalhar,

sei lá, no ano 1651.

Isto para escrever este relato, relaxar,

e tentar desviar a atenção de algum eu

que incitou-me a beber e fumar pela tarde

mas que covarde, não?

Sabendo das minhas fraquezas

e de como isto por ora arde, apesar da arte.

Sim, arte, mas a parte

do gesto

do trejeito

a tristeza esfumaçada que paira mas não sara

Só vai e volta,

Por isso, a parte

pois não deve fazer parte do presente

esta arte

apesar de existente, latente.

Guilherme Rosa

Primavera de 2015.

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