Canção para Frida Kahlo
Quero abraçar teu desamparo.
Ser tua gêmea invertida
e ainda Outra.
Quero amparar-te toda,
parte por parte,
emendando
a tua perda irreparável.
Me denuncias
com imagens: dor, fel e docura.
Cai a máscara, livre,
minha alma respira liberdade.
Posso ser simplesmente
essa e outras.
Tocar epifanica e santamente
o manto da santidade,
no azul turqueza de tua paleta sem tinta.
Teus artefatos preciosos:
colares, anéis e sonhos de jade,
teus vestidos longos, rodados,
espalham flores de estampas espetaculares.
Corpo frágil se tranforma
em cor saturada, aquarela inquietante,
de imagens da terra e do céu.
A feminilidade dos traçados
produzem sentidos convertidos,
multiplas imagens
que me refletem ad infinitum.
Nelas, me reconheço e recomponho,
a chorar e a sorrir.
Quero abraçar teu desamparo, sim!
Acolhendo a dor que mora dentro
curando as chagas das saudades
e deixando ir, libertarando,
mágoas e sonhos que não vivi.
Ser tua gêmea invertida
e ainda Outra.
Quero amparar-te toda,
parte por parte,
emendando
a tua perda irreparável.
Me denuncias
com imagens: dor, fel e docura.
Cai a máscara, livre,
minha alma respira liberdade.
Posso ser simplesmente
essa e outras.
Tocar epifanica e santamente
o manto da santidade,
no azul turqueza de tua paleta sem tinta.
Teus artefatos preciosos:
colares, anéis e sonhos de jade,
teus vestidos longos, rodados,
espalham flores de estampas espetaculares.
Corpo frágil se tranforma
em cor saturada, aquarela inquietante,
de imagens da terra e do céu.
A feminilidade dos traçados
produzem sentidos convertidos,
multiplas imagens
que me refletem ad infinitum.
Nelas, me reconheço e recomponho,
a chorar e a sorrir.
Quero abraçar teu desamparo, sim!
Acolhendo a dor que mora dentro
curando as chagas das saudades
e deixando ir, libertarando,
mágoas e sonhos que não vivi.
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