As orações da Dona Lia
AS ORAÇÕES DA DONA LIA
Seu Juca trabalhava muito e bebia viciadamente..
Durante dez horas por dia respirava e comia o cimento da fábrica,
Comia cimento, do pão ao jantar..
Terminado o expediente,
Retornava um concreto ao lar,
No caminho, em cada esquina, entrava em um bar,
E não sei se para esquecer o dia,
Ou tolerar a vida,
Não sei!
O fato é que de bar em bar ele bebia,
Liquefazia o concreto com o álcool,
Todos os dias.
Quando descia a rua, seus filhos corriam ao seu encontro, mas
Não era o pai quem vinha,
Era concreto liquefeito,
Escorria de um lado ao outro da rua.
Acostumaram-se os filhos.
A mãe não...
Chorava...
Rezava...
E cumpria sua sina, resignada.
Não se divertia, não ia a festas, tinha um filho por ano,
E definhava.
Ela tentou de tudo,
De promessas a penitências
E ele continuava...
Alma de cimento, fumo no pulmão e álcool infinitamente.
Os colegas de trabalho dele mal se aposentavam e morriam,
Um de câncer na garganta, outro no pulmão,
Um de tosse esquisita, outros de fraqueza ou coração.
Um dia ele parou de beber,
Construiu a casa dos sonhos deles e ela sorriu o sorriso dos sorrisos,
Tanto sorriu que isso lhe fez mal - falta do costume.
Morreu de câncer no pulmão,
E como sofreu sem reclamar - força do costume.
Talvez, nas orações, ela tenha pedido
Para trocar de destino com o marido.
Acho que conseguiu.
Seu Juca trabalhava muito e bebia viciadamente..
Durante dez horas por dia respirava e comia o cimento da fábrica,
Comia cimento, do pão ao jantar..
Terminado o expediente,
Retornava um concreto ao lar,
No caminho, em cada esquina, entrava em um bar,
E não sei se para esquecer o dia,
Ou tolerar a vida,
Não sei!
O fato é que de bar em bar ele bebia,
Liquefazia o concreto com o álcool,
Todos os dias.
Quando descia a rua, seus filhos corriam ao seu encontro, mas
Não era o pai quem vinha,
Era concreto liquefeito,
Escorria de um lado ao outro da rua.
Acostumaram-se os filhos.
A mãe não...
Chorava...
Rezava...
E cumpria sua sina, resignada.
Não se divertia, não ia a festas, tinha um filho por ano,
E definhava.
Ela tentou de tudo,
De promessas a penitências
E ele continuava...
Alma de cimento, fumo no pulmão e álcool infinitamente.
Os colegas de trabalho dele mal se aposentavam e morriam,
Um de câncer na garganta, outro no pulmão,
Um de tosse esquisita, outros de fraqueza ou coração.
Um dia ele parou de beber,
Construiu a casa dos sonhos deles e ela sorriu o sorriso dos sorrisos,
Tanto sorriu que isso lhe fez mal - falta do costume.
Morreu de câncer no pulmão,
E como sofreu sem reclamar - força do costume.
Talvez, nas orações, ela tenha pedido
Para trocar de destino com o marido.
Acho que conseguiu.
Comentários (1)
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anonimo
2012-10-24
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