A dança da lua
A dança da lua
(Este texto foi concluído sob a influência do eclipse total da lua
ocorrido no dia 27 de outubro de 2004 )
Por uma fresta da minha janela trancada,
Janela da alma,
Visita-me de repente uma luz prateada.
Linda, cheia, imensa, a lua!
Divina intercessão e diabólico provimento.
Linda, jovem, intensa, a lua!
Desce do firmamento,
Vence as bridas que nos impõem o espaço e o tempo,
Angelicamente endiabrada.
Invade o breu sem meu consentimento, e diz o meu nome:
- Poeta, meu Tejinho! Rio da minha aldeia!
E a voz é doce, e mansa, e vai sumindo devagarzinho:
- Poeta, Tejinho! Riozinho da minha aldeia!
Estende-me os braços, e eles são longos no abraço do corpo inteiro.
Seus olhos espelham as águas dos oceanos...
Quando olha em plenilúnio, minh'alma acende em verde claro,
Meio prata, meio ardósia,
Para sempre iluminada.
Instala-se no meu quarto de infortúnios,
Estala os milhares de dedos e então surge a música,
É a Madonna, pulsante, lúbrica.
Some por instantes numa nuvem, e quando volta é uma dançarina do ventre,
As vestes brilhantes, uma renda no rosto rente,
E uma saia de raios, de ofuscar os olhos.
A dança começa tímida, mas um furor lascivo suas formas incendeia,
E ela roda...
E é lua nova...
Crescente e meia,
E minguante e cheia,
Todas de uma vez.
Requebra, tremula, ondeia,
E me provoca a preamar.
Porque sabe encantar,
Faz-me em lobisomem,
E eu uivo... Uivo...
Uivo, ao rasgar-lhe os raios com os dentes,
Ao secar-lhe o suor com os olhos
E despir as formas com a mente.
Vejo-a sedenta e nua,
Germinando em minha alma todas as sementes escondidas,
De riso e prazer e - Vida.
Então, comovido, faço amor com a lua.
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(Este texto foi concluído sob a influência do eclipse total da lua
ocorrido no dia 27 de outubro de 2004 )
Por uma fresta da minha janela trancada,
Janela da alma,
Visita-me de repente uma luz prateada.
Linda, cheia, imensa, a lua!
Divina intercessão e diabólico provimento.
Linda, jovem, intensa, a lua!
Desce do firmamento,
Vence as bridas que nos impõem o espaço e o tempo,
Angelicamente endiabrada.
Invade o breu sem meu consentimento, e diz o meu nome:
- Poeta, meu Tejinho! Rio da minha aldeia!
E a voz é doce, e mansa, e vai sumindo devagarzinho:
- Poeta, Tejinho! Riozinho da minha aldeia!
Estende-me os braços, e eles são longos no abraço do corpo inteiro.
Seus olhos espelham as águas dos oceanos...
Quando olha em plenilúnio, minh'alma acende em verde claro,
Meio prata, meio ardósia,
Para sempre iluminada.
Instala-se no meu quarto de infortúnios,
Estala os milhares de dedos e então surge a música,
É a Madonna, pulsante, lúbrica.
Some por instantes numa nuvem, e quando volta é uma dançarina do ventre,
As vestes brilhantes, uma renda no rosto rente,
E uma saia de raios, de ofuscar os olhos.
A dança começa tímida, mas um furor lascivo suas formas incendeia,
E ela roda...
E é lua nova...
Crescente e meia,
E minguante e cheia,
Todas de uma vez.
Requebra, tremula, ondeia,
E me provoca a preamar.
Porque sabe encantar,
Faz-me em lobisomem,
E eu uivo... Uivo...
Uivo, ao rasgar-lhe os raios com os dentes,
Ao secar-lhe o suor com os olhos
E despir as formas com a mente.
Vejo-a sedenta e nua,
Germinando em minha alma todas as sementes escondidas,
De riso e prazer e - Vida.
Então, comovido, faço amor com a lua.
Comentários (4)
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2012-10-28
Caro poeta, vejo um sensibilidade e romantismo digno de um patamar superior, sim este é um poema que traz a descrição de uma alma poética e linda. Parabéns com meus aplausos verdadeiros. Agradecendo seu amável comentário deixo meu abraço poético, li seu perfil.Volte Sempre.
anonimo
2012-10-24
lindo de viver
Laércio Jose Pereira
Autor
2012-06-04
Obrigado João Euzébio! Li os seus textos também, depois farei comentários, você é muito inspirado.
2012-06-02
è Laercio você ficou sobre a influencia da lua ela te cativou com seu brilho lhe dando asas a imaginação. Parabéns
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