Bonne nuit, Julia - O manequim
A chuva que nos coloniza
Que ara a terra de nossa pele
Que cai como Lúcifer em nossos pelos
Cobre feito véu
Nosso belo adeus.
Ela tenta, em vão
Que todos os outros não vejam nosso partir
Achando que suas gotas
Vão tão grossas quando concreto
Mas, entre todo esse universo entre elas
Um intrometido qualquer pode avistar
Nosso requíem de paixão
Como uma criança
Em uma fechadura feita de chuva.
O vento nos arranha igualmente
Talvez por pura cólera
Por dar fim nossa própria festa.
Ou seja ele nos puxando
Para perto um do outro
Tão violentamente e dessesperadamente
Que já começa a chorar de temor (a chuva, lágrimas suas,
trovões, seus berros)
O neon do letreiro do cinema
Falha e pisca
Sua existência começar a falhar
Ao ver o precipício do cadafalso.
A chuva para:
O vento finalmente aceitou o fim de sagrado matrimônio,
Como uma mãe que deixa para trás seu filho amado,
Deitado no caixão.
Mas o corpo apodrece,
O corpo começa a feder.
O miasma ali nasce.
Quando o cheiro de mormaço sobe
É o chão tentando nos avisar
Do que será o mundo sem nosso amor.
Mas eu lhes digo que basta!
Quando o cheiro sobre, já não vejo ela.
Ela já virou a esquina.
Já estou a caminho de casa.
Mais um episódio de paixão
De uma grande odisséia amorosa.
Cada pessoa por quem me apaixonei
Tornaram-se apenas paixão,
O amor nunca veio.
A única por quem eu tenho verdadeiro,
genuino
E inexorável amor
É a própria paixão.
Eu amo a paixão:
Todas as pessoas por quem me apaixono
São apenas vestidos dessa bela mulher
Que é só minha
-Pelo menos,foi o que ela me disse.
Eu penso em como vivem esses homens e mulheres
Que trocariam essa mulher pelo vestido:
Jogando-a no lixo,
E colocando um manequim no seu lugar
Apenas para ver o vestido em alguma silhueta.
O carmesim dessa seda é tão bela assim?
Que ara a terra de nossa pele
Que cai como Lúcifer em nossos pelos
Cobre feito véu
Nosso belo adeus.
Ela tenta, em vão
Que todos os outros não vejam nosso partir
Achando que suas gotas
Vão tão grossas quando concreto
Mas, entre todo esse universo entre elas
Um intrometido qualquer pode avistar
Nosso requíem de paixão
Como uma criança
Em uma fechadura feita de chuva.
O vento nos arranha igualmente
Talvez por pura cólera
Por dar fim nossa própria festa.
Ou seja ele nos puxando
Para perto um do outro
Tão violentamente e dessesperadamente
Que já começa a chorar de temor (a chuva, lágrimas suas,
trovões, seus berros)
O neon do letreiro do cinema
Falha e pisca
Sua existência começar a falhar
Ao ver o precipício do cadafalso.
A chuva para:
O vento finalmente aceitou o fim de sagrado matrimônio,
Como uma mãe que deixa para trás seu filho amado,
Deitado no caixão.
Mas o corpo apodrece,
O corpo começa a feder.
O miasma ali nasce.
Quando o cheiro de mormaço sobe
É o chão tentando nos avisar
Do que será o mundo sem nosso amor.
Mas eu lhes digo que basta!
Quando o cheiro sobre, já não vejo ela.
Ela já virou a esquina.
Já estou a caminho de casa.
Mais um episódio de paixão
De uma grande odisséia amorosa.
Cada pessoa por quem me apaixonei
Tornaram-se apenas paixão,
O amor nunca veio.
A única por quem eu tenho verdadeiro,
genuino
E inexorável amor
É a própria paixão.
Eu amo a paixão:
Todas as pessoas por quem me apaixono
São apenas vestidos dessa bela mulher
Que é só minha
-Pelo menos,foi o que ela me disse.
Eu penso em como vivem esses homens e mulheres
Que trocariam essa mulher pelo vestido:
Jogando-a no lixo,
E colocando um manequim no seu lugar
Apenas para ver o vestido em alguma silhueta.
O carmesim dessa seda é tão bela assim?
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