DIVINA VÉSPER [Manoel Serrão]
Oh! Deia dos célios, sonho idílio, rubra luz de ingente encanto.Ó gesta que c’o corpo medra das nebulosas, silenciastes?
Vai-te! Sede a voz, dizeis a uma só palavra ao tempo doravante o tempo que podeis!
Por que as estrelas não duram para sempre? E o amor à chama que alimenta a vida não te fora a sorte?
Filha da Ursa Maior, quão Templário c’a anima e c’o esp’rito em guarda.
Pus-me em espera velada para não sedes sombras, nem das sombras do eclipse escravas.
Ó tu que és honra - Diva de humana casta - o mal de ti se arrede?
Sigo-te! Eu que a tenho drão, sei preciso tão os teus erros possíveis quantos são!
Vai-te! Prenuncia-nos em ode que se avista, à tarde, onde o omnipresente Sol se fez o nada ser vista um desertor.
Vês! No lar do eterno não há tempo urgente sem tempo contente para sorrir!
Ó de seda manto ou voiler, ó divina Vésper de pura veste, o que mais quereis na cera planetária por amor?
Vês! Onde ‘stás, concede-te! Ó Vênus, por dá cá nos aquele Eros pura, e o que de ti Urano nos dera, restou-nos? Não vês, o coração d’agora que outrora por ti sorrira, choram? E bem-te-quis, divina Véspe!
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