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n. 1960 BR BR

n. 1960-04-19, São Luis - Maranhão

Perfil
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ÓCIO [Manoel Serrão]





Ócio... Ócio...

Ócio só é dócil se conciso.
Senão: vira ópio, negócio,
Divórcio ou caso de hospício!



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Biografia
Perfil Nome completo: Manoel Serrão da Silveira Lacerda. Idade e naturalidade: Nasceu em São Luís [Atenas Brasileira] capital do Estado do Maranhão, na Santa Casa de Misericórdia, em 19 de abril de 1960. Filiação: Filho de Agamenon Lucas de Lacerda e de Oglady da Silveira Lacerda. Neto paterno de Manuel Lucas de Lacerda e Maria Antônia Lucas de Lacerda; neto materno de Hidalgo Martins da Silveira e Maria José Serra da Silveira. Ascendência geral de espanhóis e portugueses judeus. Profissão: Advogado e Professor de Direito, formado pela Faculdade de Direito do Recife - UFPE, curso criado pela Carta Lei de 11.08.1827 - publicada em 21.08.1827 - Chancelaria Mor do Império do Brasil, que no passado acolheu dois presidentes: Epitácio Pessoa, em 1886 e Nilo Peçanha, em 1887. Acolheu outros nomes, os quais enriqueceram a nossa cultura como: Rui Barbosa. Castro Alves. Augusto dos Anjos. Ariano Suassuna. Miguel Arraes. Francisco Julião. Barão do Rio Branco. Barão de Lucena. Joaquim Nabuco. Fagundes Varela. Raul Pompéia. Tobias Barreto. Graça Aranha. Álvaro Lins. José Lins do Rego. Pontes de Miranda. João Pessoa. Clóvis Bevillaqua. Silvio Romero. Adolfo Cisnes. Assis Chateaubriand. Agamenon Magalhães. Luís Câmara Cascudo. Aurélio Buarque de Holanda, e tantos mais. Dimensionar a origem do berço poético do autor, assim como a dimensão e a importância do Maranhão para a cultura nacional, peço vênia para transcrever um pequeno trecho da obra do imortal membro da Academia Maranhense de Letras o professor Jomar Moraes, intitulada - Apontamentos de Literatura Maranhense - edições sioge - nota bene: "Sem receio de qualquer exagero chauvinista diríamos que a presença do Maranhão na literatura nacional se caracteriza, principalmente, pelo vanguardismo que sempre colocou nossos homens de letras à frente dos debates das novas ideias e da renovação de padrões estéticos. Do negrismo de Trajano Galvão ao neoconcretismo de Ferreira Gullar; do ideário estético e nacionalista de Gonçalves Dias às antecipações modernistas de Sousândrade; da lucidez analítica de João Francisco Lisboa ao ensaísmo da Franklin de Oliveira e Oswaldinho Marques; dos estudos folclóricos de Celso Magalhães ao romance naturalista de Aluísio de Azevedo; dos estudos de Nina Rodrigues à renovação estética pregada e apoiada por Graça Aranha, tudo revela e comprova a clara vocação de pioneirismo e liderança que assinala uma das mais características e importantes facetas da nossa participação na cultural nacional". E ainda, de Coelho Neto, Teófilo Dias, Vespasiano Ramos, Raimundo Teixeira Mendes, César Marques e muitos outros de uma constelação que brilha desde meados do século XIX. Dois dos quais – Gonçalves Dias e Teófilo Dias – são patronos de cadeiras na Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras, à Akademia dos Párias, dentre eles: Fernando Abreu, Paulo Melo Sousa, Garrone, Paulinho Nó Cego, Marcello Chalvinski, Zé Maria Medeiros, Celso Borges. Podemos citar: Arthur Azevedo; Catulo da Paixão Cearense; Bacelar Vianna; Bandeira Tribuzi; Padre Antônio Vieira [Sermão aos Peixes]; Odorico Mendes; Sotero dos Reis; João Francisco Lisboa; Gentil H. de Almeida Braga; Custódio A. P. Serrão [Frei]; Trajano Galvão; Josué Montello; Nauro Machado; José Sarney; José Chagas; José Maria Nascimento; Laura Amélia Damous; Luís Augusto Cassas; Alex Brasil, Antônio Miranda, Carlos Cunha, Dagmar Desterro, Joãozinho Ribeiro, Lago Burnett, Odylo Costa, Roberto Kenard, Salgado Maranhão, Vespasiano Ramos, Joaquim Haickel, João Batista Gomes do Lago; Mhario Lincoln; Lenita de Sá, João Paulo Leda, Evilásio Júnior, Antônia Veloso, Luiza Cantanhede, Zélia Maria Bacelar Viana, além de muitos tantos outros.

Poemas

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ÓCIO [Manoel Serrão]





Ócio... Ócio...

Ócio só é dócil se conciso.
Senão: vira ópio, negócio,
Divórcio ou caso de hospício!



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SES’SEN’TA [Manoel Serrão]



Ó qu’eu por amor à ti vida, não fiz?
Se por ti me fiz uma janela aberta sobre o mundo fechado afora;
o verbo errado para o acerto da borracha; quão o verso avesso arriado aposto à rima do Parnaso.
Se por ti me fiz busca além dos edifícios de concreto sujo e das minhas ruas descalças pela absolvição do cadafalso; o silente dorido que sofre, cala e berra, quão a diferença do ser que É ser-de-pois-quê, o ser que fala.
Se por ti me fiz verdade quase impotente para mentir? Quão o dom do ser criador, o dom que faz do desejo, sacrifício; o gosto desconhecido de água e sangue sem sabor, meu próprio gosto de ser existido;

Ó qu'eu por amor à ti vida, não fiz! Se por ti me fiz o sono leve, o sonho, e o pesadelo; a luz e a sombra. Se me fiz pouco a pouco a paz e a escuridão sem medo da noite;  

Se me fiz o Sol, o céu preclaro, o sal, o cio, dias rútilos –, sementes; plantei-me em ipês de floradas amarelas. Se me fiz o modular do bem-ti-vi cantador, e o revoar do colibri  beija-flor.

Águas... águas de abril, chuva benta, rios correntes, me fiz o vaivém das ondas e dos mares n'áreia: me fiz oceanos e os litorais. me fiz o protoplasma d’onde advém ao mundo: o homem.

Se me fiz creu, increu, o São Thomé descrente;  a rocha fraca, o riso forte, o fogo-fátuo. Se me fiz o sulco-do-cenho, a lepra da face quão a cura no amor que grassa.
Fiz-me a [I]mago, a purga de Hades, o ósculo amagor, o Eden-, Fiz-me o Pai, o Filho, o Espírito, o Santo belo da dor.
Construção... obra em curso: o ninguém por merecer, valer a pena conhecer-, Fiz-me a essência, o existir do ser acontecer. Fiz-me prantos e revoados cantos, os “Todos” e os “Nenhuns” do meu onthos, - fiz-me o apego, o liberto, o desejo e o desapego. Ó incompreendido? Fiz-me ser a compreensão do Ser que se descobre até no aquilo que aparece como já tendo sido. Ó  vida, tenho pressa.
Tenho pressa? Não vês que o tempo urge para o quê me resta?
Não vês que pó pra sê-lo uma só prece no poema é o que me presta?  
Não vês que todo o homem não é mais que um sopro, tenho pressa? Ó tempo, diz-me: o que me resta? O que me resta?
Ó nada há mais são na minha carne, mas devora-me a carne? Nada há intato nos meus ossos, mas quebra-me os ossos?
Inda débil, couraça coberta de pelos e as cãs povilhadas de neves... Ó tempo, perguntas em aberto: o futuro? É o hoje! Ó não dei voltas, não escondeis da vossa face o oblívio da morte! Ó tempo, eu juro, à fé em D'us, sem pressa aos ses’sen’ta chega árdego sem espera! Ó onde nada mais se repete, já me pesas! 

 



Esta obra, ora analisada, dispõe de um palavriado ‘alienígena’ muito pertinente às ideias diferenciadas de Serrão, em sua construção lírica. Até, muito pertinentes às escritas por Gaston Bachelard: "O exterior e o interior formam uma dialética de esquartejamento, e a geometria evidente dessa dialética nos cega tão logo a introduzimos em âmbitos metafóricos. Ela tem a nitidez crucial da dialética do sim e do não, que tudo decide. Fazemos dela, sem o percebermos, uma base de imagens que comandam todos os pensamentos do positivo e do negativo". 
 
Isto é, Serrão é grandioso em sua construção e desconstrução pseudo-oníricas quase perfeitas, como cirrostratus: (Ó qu’eu por amor à ti vida fiz-me o verso a borracha, a escrita poesia, o corpo e ánima: [a] fala e o Sujeito com a palavra. Fiz-me o zéfiro, a tormenta, a bonança e os temporais; o sono, o sonho e o pesadelo, o ruído e o silêncio, a luz e a sombra, a rosa dos ventos. Fiz-me pouco a pouco a paz e a escuridão sem medo da noite. (...)” . / Construção... obra em curso: o ninguém por merecer, valer a pena conhecer-, Fiz-me a essência, o existir do ser acontecer. Fiz-me prantos e revoados cantos, os “Todos” e os “Nenhuns” do meu onthos, - fiz-me o apego, o liberto, o desejo e o desapego. Ó incompreendido? Fiz-me ser a compreensão do Ser que se descobre até no aquilo que aparece como já tendo sido. Ó  vida, tenho pressa. (...)”.

A beleza da obra de Manoel Serrão da Silveira não diz respeito, apenas, à solidão reencarnada de Horácio ou à metafísica do inconcluso construtiva ou desconstrutivo de Bachelard. Mas sim, na forma portentosa da criação, onde fatores ortográficos acabam não se misturando com o fator temático, quase que tecendo uma lírica sob efeito de uma – dialética (que) nos cega tão logo a introduzimos em âmbitos metafóricos - como escreveu esse filósofo e poeta francês em A POÉTICA DO ESPAÇO, pg. 215.  

Mhario Lincoln                                                                                   
Presidente da Academia Poética Brasileira                                          
Curitiba, 14.02.2018.


Mhario Lincoln é editor-sênior da www.revistapoeticabrasileira.com.br - Acredito eu que a POESIA e a Literatura especificamente, deveriam ter um tratamento mais razoável neste País chamado Brasil. Que não só os folhetins novelescos repetitivos e enfadonhos a se perpetuar, cada vez mais, no ilusório coletivo. A poesia deveria (como estamos tentando fazer em nossas publicações) ter um lugar especial. Por exemplo, Antonio Candido de Mello e Souza, sociólogo, literato e professor universitário brasileiro, estudioso da literatura brasileira e estrangeira, pensa igual: 'A literatura é pois um sistema vivo de obras, agindo umas sobre as outras e sobre os leitores; e só vive na medida em que estes a vivem...'. Então, se não há produção literária, não há leitores e não havendo leitores, não sobrevive, por si só, a literatura.(...)" #domeulivro ML

Mhario Lincoln é editor-sênior da www.revistapoeticabrasileira.com.br






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OS POETAS COM PALAVRA [MANOEL SERRÃO]




O que silente o poema pelos tomos em voz alta não fala.

Fala calado pelo ósculo mudo e na boca podre não cala!
Fala na folha “adivinha” no dito em vez só de ouvidos.
E no que muito sente, fala, dita na voz escrita a palavra.

Fala por chuvas de balas hostis e quão reboados canhões;
Fala por doridos dilúvicos sob um céu de fuzis;
Fala por obus de versos sutis e avis odes blues de anis;
Escarra-nos, por sua "guerra" ao mundo? Altiva, berra-nos!
Fala-nos por palavras retilíneas, tortas ou entrecortadas,
Fala-nos nas estrofes livres, cativas ou arrumadas. Fala-nos!

Fala-nos, inda que a sombra dê-se à luz em ares de grande.
E, dê-se em ares de Gandhi do Ser com o Ter, todo o combate.
Ao passo, que dentro o embate de conjugá-lo o verbo vos cabe.
Fora o que não sabe? Saber por idade, sabe o poeta...
O poeta sabe dar por Amor à palavra o lume do Sol-Idade.

Inda que pura ou suja ou mais que imperfeita o profanam.
Inda que pedra ou pena, e não lhes dês trégua, o ultrajem:

Ó só sabe na “carne do almaço” quem sangra rios no verso;

Só sabe de Goethe quem recita os belos versos de Homero;

Ó só sabe das chagas as dores quem ressuma na Parkinson;

E o que na lama a alma sã por sorte desinfeta-se da morte.

Ó só sabe quem afaga urtiga no verbo a lã o poeta carrega.

E opila o suor da vida pelos poros da palavra dita singela,
Até que o vate afogue a poesia na testa, mas fala a poética!
E se assim, não tarda do impossível, dizer-te: toda nua sua?
É vossa a poesia, não a palavra?
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POLÍCRATES, O SABOTADOR DO PRÓPRIO SUCESSO [MANOEL SERRÃO]



Em uma sociedade cada vez mais pluralizada como a nossa, sobretudo, customizada, baseada no consumo descartável, sitiada pelo marketing e pela estratégica midiática, completamente fútil, liquidificada, cativa do lixo cultural e do efêmero, que nos passa a falsa ideia de vivermos num mundo capitalista globalizado de infinita abundância e fartura, em que proclama pelo direito à felicidade através da mais plena satisfação que alimenta a um só tempo todos os desejos, sobretudo, o desejo de aquisição material, à evidência de que outra forma não se pode pensar. Que cruel subversão impôs a sociedade industrial e no presente agora arrematado pela cyber-thecno-digital aos mais obscuros interesses  conspiratórios (por eemplo: a Elite das Sombras) para  a escravidão humana, já que a tecnologia não tem alma nem sentimento, e dessa maneira sendo o único mecanismo capaz de perpetuar a submissão do homem pelo poder do próprio homem. 

Às vezes ambígua a ideia da felicidade incorpora a de culpabilidade, tão bem representado pelo mito do anel de Polícrates, senão vejamos: “O rei Polícrates era feliz. Tão feliz que não havia nada que pudesse desejar. Pensou, então, que seu destino era bom demais para estar conforme com a lei do mundo; sua felicidade só poderia ser destruída se não conjurasse o destino infligindo a si próprio um sofrimento. Entre suas riquezas havia um belo anel, que ele amava sobre todas as coisas. Decidiu sacrificá-lo ao mar. Mas os Deuses recusaram a oferenda: um peixe engoliu o anel que, ao ser encontrado por um pescador, foi reconhecido e restituído ao rei. Polícrates, vendo nessa inconveniente restituição um sinal dos deuses, tentou, em vão, desembaraçar-se do fetiche, mas, sem jamais consegui-lo, perdeu nesse desesperado esforço, um a um, seus bens e sua tranquilidade”.

Que temeroso destino teve o rei Polícrates diante da plena satisfação material, e assim, porque não “espiritual” de todos os seus desejos. Sem dúvida, um desafio para o mundo contemporâneo, e para todos nós humanos, Polícrates, O SABOTADOR DO PRÓPRIO SUCESSO, ou não!
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O SINTHOMA COLETIVO DO SUJEITO [Manoel Serrão]


Prometa-se! Prometa-se! Dê-se em recompensas! Dê-se em recompensas antes mesmo que os pequenos caminhos, as veredas e as estreitas sendas se tornem grandes distâncias sem destinos.

Cheia de conclusões e novos começos, o que quer que tenha estado no seu tempo e na sua energia, o que agora acabou está findo. Doe-se a lembrança de honrar no desafio o Sinthoma [Lacan] do Sujeito e todos os demais perigos das escolhas que os rondam. Tu és a vida, a força, a alegria nada pode abatê-lo [a]. Que algum novo possa ter começo.

Só se pode pensar que sim! Se si pode dizer um não! Que não digas. Que não fales. Que não respondas. Não dizer as coisas até o fim? Não se trata de uma resposta para uma pergunta, mas de algo maior do que a resposta. Sabeis, ó sabeis então honrá-los?  “Resta-nos entre “razões” opostas, “extremos” e radicais”, o totalitarismo e o combate [a reação] – a realidade e sua outra cena - o mar de dentro, o mar de fora, há de suster-se no tempo presente – o sim e o não – o destro e o esquerdo – entre - sempre demasiado abismos até o cume alto do onthos, a cadeia montanhosa dos vossos purificados. Exortados a não recuar ante os contrários, subais com redobrada atenção, mas também com veemente leniência e aspiração o pico da existência e de lá contemplais a finitude da “eternidade” de um por do sol.
 
Sim! Vá e – voilá - sem fille-au-pair creia quando por lá chegardes que a vossa compaixão sejais a arte de abater o frio invasor dos corações de neve, e assim, após, o toque fraterno e solidário na tropa de todas as tribos, tangeis infatigável o vosso rebanho rumo ao melhor dos homens.

Quente e úmida, inóspita, tesouro de grande riqueza é o poder da floresta amazônica com sua biodiversidade, o seu látex, o ciclo das águas e dos igarapés, ao penetrares as suas entranhas, beijais a fauna, abraçais a flora, e sob a regente baqueta da eco-band compúnheis uma ode, uma tocata si fonia que fale de amor e de preservação pela mata da vida. No útero, aprofundais vossa conexão com a natureza, com as estrelas, somos, todos, filhos da Terra.
 
Conquanto ao correrdes vossos olhos para o Oriente segue a Vésper, o bando e a constelação da estrela d'alva.

Ó lançais outro olhar sobre o mundo. Em nada reconheceis como verdadeiro. Não esqueceis da caravana ao atravessardes na solidão do homem em converso segue em fila passo a passo e como tal tudo anda e tudo passa, e que junto a si haverá sempre alguém que te acompanhará em demasia. Seja ao menos cigano, nômade, pária!

O seu - eu sou lida e labor que passo a passo
só o perseverante com a astúcia dos bons propósitos e o bom senso da verdade relativa, vence-a com sangue, suor e a cáfila na vastidão do vosso deserto existencial.

Ao visitares os campos das paixões e amores silvestres fazes do Eu - Teu e de Mim o aroma e do buquê ramalhete do perfume a tua morada, assim como fazes da fartura do cardume, o mel do enxame, da penca, do chacho o néctar que alimenta o beija-flor da t'alma.

No planisfério do atlas ao abri-lo só o faças com o espírito e a xacra iluminados, portanto quando falares da paz o faça numa só língua do abecedário. Jamais percamos a conexão com aqueles que amamos.

Finalmente fotografe tudo e grave, registre como um filme na mente para que jamais esqueçam no álbum da vida as lembranças amareladas do tempo pretérito, do tempo presente e do por vir do tempo perfeito que insiste em fazê-lo partir.

Correndo o mundo, cruzando mares, faz de vós um Crusoé, jamais desista, porque não há uma marine e existem batalhões e batalhas, mas também há perto de mim, de ti e de nós a presença divina do Deus Pai onipresente, onisciente e onipotente que vale por todo o exército e todas as batalhas. Não há inimigo tampouco mau que os vença.
 
Já viste teu o D'US pai nosso que está no Universo em forma una - plena coletiva e substantivada em poesias. Afinal, que mundo queremos?

Manoel Serrão da Silveira Lacerda – Advogado – Professor de Direito – Poeta e Escritor.
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SUICIDÁRIO [Manoel Serrão]


Ó Gaia, adeus! Fui escrever uns versos e, à hora em que imortalizaes este poema, espero já estar banido da poesia!

Estou cansado de viver com tanta felicidade o sal das palavras, vou convencer a minha loucura, e a minha doidivana poesia a denunciar-me por violação ao verbo ser contrafeito à hipocrisia do verbo ter.

Assim, além de perpétua e imortalizada, alcanço na fila dos homens sozinhos, a cadeira "elétrica" da Academia.
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O'HARA [Manoel Serrão]




Um píxel na imensidão,
A anos-luz te espero... 

Virei pedra, o elo, o souvenir de borracha.
A "partícula de D'us", o big bang...
Virei a matéria, o ectoplasma,  
O'hara? E tu não passas!!!!
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DESCONTROL [Manoel Serrão]

Ucha fina, "baú" high-tech, vício, o poder da luz sem cura. O menu com voz avançada; o mal invisível no infravermelho! O lixo arrebatador à 80HDR polegadas!

A hipnose global do soft lux digital,
Onde o preto é o preto mais preto e o puro é o branco mais branco apuro.
Ei-lo, OLED de contraste infinito: “véu” que cega e os embesta!
Ei-lo, O Smart que aparta no home theate e o separa “da TV” a massa cinza “da labuta” diária.

Sol a sol! Luau a luau! Ó alli 'stá naquele symbol e naquela imago: o “mundo real”!

Ó alli 'stá naquela boca secura, espectro sem cura de incontinência verbal! Há um "novo homem-na-ordem-manual"!
Ao passo que, muito aquém do que seriam na ordem de aparição: jaz n'uma ABC- Colorado sem lamentar-se da Velha Nova Ordem Mundial.








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CANTEIROS [Manoel Serrão]





Em canteiros de versos ensolarados,
Plantei um jardim de poemas.
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D’OSGEMEOS [Manoel Serrão]

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Ó “Poseidon” -, D’us dos Mares -, Guardiã das Águas profundas e das marés rasas.
Ó tu imortal que ao sal das vagas emerge das entranhas líquidas, que desaba em fúria severa sobre o tombadilho, e quão um punho em brasais, esbatia-se contra o rochedo do "Náutilos": arremessa-o contra o tempo pelo eterno; desafia-o num só gesto à morte; e, atormenta-o nos interiores pelos seus contrários o mundo ao redor.

Ó inda que mal traçada a rota pelo azimute, acaso D’us, viste-os vencidos? Vês são bravos “Vernes” rumo às “Ilhas” desérticas de suas almas etéricas. Vês, lá d’onde o homem-criança [os bons], reinventa o mundo, povoa-o, fecha-o e nele em claustro na caixa Nau se encerra, e a tornar-se retina viajante, é a mesma Nau que, de leve, afagam infinitos e causa amiúde partidas.

Ó Bendicto! Não vês? São heróis mortais sem desonra -, escutai-os e guardai-os só para vós no coração: por que não poupais os bons e os maus mandem-nos a purga de Hades? Ó se até o “Celeste” que outrora fora ao pique em cresta e brasa, nem à cais do porto – o destino -, a Sagração o salvara? Ó se até o “Bateau ivre” de Rimbaud, a exora, nau que se dissera “eu”, e, liberto de seu banker, fizera do Homem-pequeno homúnculo das sombras, passar de sua caverna a uma sublima alma poética?

Ó vês, inda que suprima da matéria o homem e deixeis a nau às sós: nada escapará ao ectoplasma, nem mesmo o mais remoto esférico e liso dos Universos infinitos.

Então, espiais? De Gaia, o Ponto virá a ti...

Ó "Eólio" -, D’us dos Ventos -, ó tu imortal de os teres consigo a soprar-lhe as vê-las do reino humano até voar: o vento suão; o furacão; o temporal; o vento gélido; a tempestade; e, o vento cáustico às vossas erigidas ameias aos céus do Olimpo ruiu - o destino – virara estrelas encarnadas e a imortalidade quebrando as madrugadas o alcançara.

Ó D’us que o indago e proclamo ser teu aliado: e que homem sem sonhos aos céus pode chegar? Por que não haveria de vagar pelos campos à colheita do sonho? Nossos sonhos são como um sopro dos ventos, mais que tudo precisão: a própria vida do Ser que se quer ser existido.

Ó imortal, como me vos desfizestes! Não vedes que nós, mortais são-nos destinos, e nossos dias de imortais são-nos contados.

Então, espias? De Gaia, Urano virá a ti...

Ó d’osgemeos” fúria do vento e do mar, entre - humanos e divinos – os diferentes, urge-te do estro unguento da poesia quão o sábio Gilgamesh o mais antigo que o Dilúvio – o épico do poema. Sim! Aquele que tudo vira que singrou os mares, que soubera de todas as coisas, e fora aos céus pelos ventos.

Então, espiais? De Gilgamesh, a Poesia virá a ti...

Ó dize-o tu, severo Mito? Por que acusas os mortais dos sonhares e do mal que há imortal no homem não vos dás a cura? Acaso vós sabeis dos mares vindos da corrente que os arrastam para longe, para sempre, a rota de voltar à morte para a vida, o caminho?

Acaso vós sabeis? Sabeis? Ó severo Mito, assustado, sabeis dos reveses que vos afliges quão o rito de mantê-lo à tona vivente no presente revivido?

Então, espiais? Do Rito, o Mito virá a ti...

Ó d’osgemeos dos mares e dos ventos, acaso procurareis vento no meio dos ventos? Água no meio dos mares? Ó se ali Deus imortal dela vos serás; morto ali o homem em vão dela não serás.

Ó D’us imortal “Poseidon”, agora que somos vida para amar. Ó D’us imortal “Eólio”, agora que somos sonhos para sonhar.

Ó que sejamos Vida e Sonhos, não vês? A Vida no “Berçário da Evolução” a ti virá dos Homens!
Mas dos Homens que devemos aprender a morrer para o que somos, e renascer pelos sonhos.

Então, espiais? Só assim, de Zeus, o Olimpo virá a ti...



 

 



 

 

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