SUICIDÁRIO [Manoel Serrão]

Ó Gaia, adeus! Fui escrever uns versos e, à hora em que imortalizaes este poema, espero já estar banido da poesia!
Estou cansado de viver com tanta felicidade o sal das palavras, vou convencer a minha loucura, e a minha doidivana poesia a denunciar-me por violação ao verbo ser contrafeito à hipocrisia do verbo ter.
Assim, além de perpétua e imortalizada, alcanço na fila dos homens sozinhos, a cadeira "elétrica" da Academia.
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