ÓCIO [Manoel Serrão]

Ócio... Ócio...
Ócio só é dócil se conciso.
Senão: vira ópio, negócio,
Divórcio ou caso de hospício!


O meu amor
tem sempre um vício:
As vezes reclama do conforto;
Outras, conforta
o egoísmo.


Desbrio cromo, rude anômalo.
Ethos aléxico, nude atímico.
Xeno-imago, anon-imato o atávico.
Divisa enfadonha da psique e da soma.
Neo-autômato, risus sardonicus.
Dândi inseto, desafeito o afeto.
L’infâme do não-ser o afago.
O héxis no desfrute da Távora.
Voro animi, mori o cordi cida? Suicida!
E eis que medra e habita no vacante o Matrix:
O nada ser visto.
O não-acontecido.
O irreal. O invisível.
O silente insidia tornado exílio que apaga o Outro.
Mhario Lincoln adicionou uma foto e um vídeo.
21 de julho às 21:53 · Minha satisfação é imensa em receber um dos maiores poetas vivos da geração 60. ManoelSerrão SilveiraLacerda. Pessoa a quem respeito muito. Ele mandou-me uma poesia fortíssima, dentro dos axiomas que ele bem sabe interpretar, mas para mim, foi deveras difícil acompanhá-los e produzir esse vídeo em cima de sua "DÂNDI ATÍMICO [O NADA [A] SER VISTO]". Tentei. Meu amigo Serrão, seja sempre bem-vindo. Perdoe-me se não foi como o desejado. Publicarei na página da Academia Poética Brasileira os outros poemas.
Mhario Lincoln é editor-sênior da www.revistapoeticabrasileira.com.br - Acredito eu que a POESIA e a Literatura especificamente, deveriam ter um tratamento mais razoável neste País chamado Brasil. Que não só os folhetins novelescos repetitivos e enfadonhos a se perpetuar, cada vez mais, no ilusório coletivo. A poesia deveria (como estamos tentando fazer em nossas publicações) ter um lugar especial. Por exemplo, Antonio Candido de Mello e Souza, sociólogo, literato e professor universitário brasileiro, estudioso da literatura brasileira e estrangeira, pensa igual: 'A literatura é pois um sistema vivo de obras, agindo umas sobre as outras e sobre os leitores; e só vive na medida em que estes a vivem...'. Então, se não há produção literária, não há leitores e não havendo leitores, não sobrevive, por si só, a literatura.(...)" #domeulivro ML
Mhario Lincoln é editor-sênior da www.revistapoeticabrasileira.com.br
Vejo avessa à gangue a tribo.
Vejo o “avir” do vezo aviso.
Vejo o vício, o viço, o ambíguo.
Vejo a Vogue, a Veja, a crise.
Vejo o VIP, a voile, o yuppie.
Vejo o vil, a van, o viso.
Vejo o surdo, a Vox, o mudo.
Vejo o véu, a urb. Um puzzle!!
Vejo o obus, o ópio, o óbolo.
Vejo o ódio, o óbito, o órfão.
Vejo o ócio, o óbvio, o óbice.
Vejo o ópio, o ágio, o opus.
Vejo o arbítrio, o abuso, o brigo.
Vejo o rito, o mito, o Sísifo.
Vejo a réstia, o injusto, o grito
Vejo o luxo, a vida acabar no lixo.
Vejo o lombo, o arrombo, o tombo.
Vejo o vômito, o soluçado, o pânico.
Vejo o vômer, o “esperto”, o tonto”.
Vejo o ranço, o ronco, o pranto.
Vejo o Papa, o Bispo, o dízimo.
Vejo a Toga, o antro, o cancro.
Vejo o Bem, o Mau, o “Santo”.
Vejo o Rapa, o Mala, o Banto.
Vejo O Pai, o “dolar” – O Nóia.
Vejo a senha, o “trovão”, a prova.
Vejo o tira, o canhão, a pólvora.
Vejo O "Boca", O berro, O Humano.
Vejo o PIB, o desemprego, o adorno.
Vejo o perjúrio, o corrupto, o furor.
Vejo o sonho, o engano, vejo a dor!
Vejo claros, vejo pardos e negros.
Vejo magros, caricatos e vermelhos.
Vejo o todo, vejo o tudo, vejo o nada...
Vejo que não há por detrás dos muros para os homens,
Outros planos! Ó desenganos... Desenganos...

Do lado de cá?
Um aroma de café, uma sombra
E um banquinho na praça.
Do lado de lá?
Um gerente do banco, um aperto de mão
E alguns zeros na conta.
Assim, bendizente a vida me fez decidir:
Sem pressa, o aroma do ca-fé?:
Gesta até hoje no Ser-afim.
Ora o grés, o grão poejo, o pó poento o Eu “sub” limbo,

Por Zeus e Mnemósine, ó cria de Urano e Gaia!
Que me-a fizestes?
Que me-a fizestes, ó Calíope?
Que me-a fizestes, ó rainha da epópeia.
Ó Deusa da eloquência e da poesia épica, que me-a fizestes?
Por Zeus e Mnemósine, ó filha de Urano e Gaia!
Que me-a fizestes?
Que me-a fizestes, ó Érato?
Que me-a fizestes, ó musa da lira.
Ó Deusa dos hinos e da poesia lírica, que me-a fizestes?
Deos, que me-a fizestes?
Ó régia de encantar os afetos?
Ó “fleur” delibada de cortejados dons?
Que me-a fizestes?
Tomaste-me às mãos.
Tomaste-me o corpo e as vestes.
Tornaste-me a essência.
Tomaste-me do avesso o inverso.
Não vês que já de pé, se comprazem e se alegram os meus versos?
Não vês que já pulsão, guirlandas de flores adornam-me o coração?
E que pétalas de rosas atapetam a chã d’alma, entorpece-me?
Ó ditosa, tece e ama!
Como desejo onde tu ‘stás, e aqui, devora-me,
Um’ hora, por toda parte a querer-te anseio mais.
Amostrade-mh-a Eros que no céu, d’agora,
No-lo - ás cirros gris nem cerúleo de azul igual.
No-lo - ás decassílabos de versos brancos nem rimas pobres,
Tampouco pranto no imo dantes quão inelutável aguaçal.
Por Pausânias,
Amostrade-mh-a Eros?
Não vês que o arco-íris no porto cais da poesia já não chora a dor sem amor na vida.
Ó vernal primavera de reflorescer a verve.
Ó ambrósia de suster no regalo o verbo.
Ó pôr Deos, que me-a fizestes, ó musa?
Ó oceano aberto, mar sem fronteiras,
Contigo irei até onde navegarem as velas.
Ó que me-a fizestes, Deia?
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