Lista de Poemas

L´ROMA DE CAFÉ [Manoel Serrão]





Do lado de cá?
Um aroma de café, uma sombra
E um banquinho na praça.


Do lado de lá?
Um gerente do banco, um aperto de mão
E alguns zeros na conta.


Assim, bendizente a vida me fez decidir:
Sem pressa, o aroma do ca-fé?:
Gesta até hoje no Ser-afim.







 

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JUÍZO FINALE [Manoel Serrão]



Falo-vos d
o septo nasal, senzala de secreção ancestral.
Digo-vos do peito xenófobo, excreção moral que nem xarope "bromil" expectora.
No entanto nos abraçamos sujos, sectários, malditos e resignados à espera do juízo final.
É que não há sabão na pátria com vergonha e ética,
Nem palha [de] aço com respeito e água capaz de enxaguar tanta sujeira. Ah! pecadores! Ah! juízo final! 
 


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DÂNDI ATÍMICO [O NADA [A] SER VISTO] [Manoel Serrão]



Desbrio cromo, rude anômalo.
Ethos aléxico, nude atímico.
Xeno-imago, anon-imato o atávico.
Divisa enfadonha da psique e da soma.

Neo-autômato, risus sardonicus.
Dândi inseto, desafeito o afeto.
L’infâme do não-ser o afago.
O héxis no desfrute da Távora.

Voro animi, mori o cordi cida? Suicida!
E eis que medra e habita no vacante o Matrix:
O nada ser visto.
O não-acontecido.
O irreal. O invisível.
O silente insidia tornado exílio que apaga o Outro.





Mhario Lincoln adicionou uma foto e um vídeo.

21 de julho às 21:53 · Minha satisfação é imensa em receber um dos maiores poetas vivos da geração 60. ManoelSerrão SilveiraLacerda. Pessoa a quem respeito muito. Ele mandou-me uma poesia fortíssima, dentro dos axiomas que ele bem sabe interpretar, mas para mim, foi deveras difícil acompanhá-los e produzir esse vídeo em cima de sua "DÂNDI ATÍMICO [O NADA [A] SER VISTO]". Tentei. Meu amigo Serrão, seja sempre bem-vindo. Perdoe-me se não foi como o desejado. Publicarei na página da Academia Poética Brasileira os outros poemas.

Mhario Lincoln é editor-sênior da www.revistapoeticabrasileira.com.br - Acredito eu que a POESIA e a Literatura especificamente, deveriam ter um tratamento mais razoável neste País chamado Brasil. Que não só os folhetins novelescos repetitivos e enfadonhos a se perpetuar, cada vez mais, no ilusório coletivo. A poesia deveria (como estamos tentando fazer em nossas publicações) ter um lugar especial. Por exemplo, Antonio Candido de Mello e Souza, sociólogo, literato e professor universitário brasileiro, estudioso da literatura brasileira e estrangeira, pensa igual: 'A literatura é pois um sistema vivo de obras, agindo umas sobre as outras e sobre os leitores; e só vive na medida em que estes a vivem...'. Então, se não há produção literária, não há leitores e não havendo leitores, não sobrevive, por si só, a literatura.(...)" #domeulivro ML

Mhario Lincoln é editor-sênior da www.revistapoeticabrasileira.com.br







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VENTOS SUÃO [Manoel Serrão]





Coisas sãs, e nós loucos.
Coisas são, e vós poucos.
Coisas vão, e nós soltos.
Coisas vãs, e vós corpos.
Coisas são O quê da vida muito vós sabeis!
Coisas vão O qu'eu louco sem os nós ainda não sei!
Ventos suão para o norte e todos nós [A]vis!


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CHAGAS [Manoel Serrão]



Ó chagas essas tão eternas.
Despertai-me, Senhor, os vazios.
Perdoai-me, Senhor, os infiéis.
Libertai-me, Senhor, os cativos. 

Ó chagas essas tão eternas.
Curai-me, Senhor, os inculpados.
Embalai-me, Senhor, os incriados.

Desfraldai-me nos estendais do solário o branco enxágue das minhas verdades derradeiras. 

Ó catarse! Se tudo o que sorrides de mim e do erro sorris é o quer vós fazeis? Por que então choreis a dor do vosso lastimoso pranto? Ó cães! Se tudo o que sorrides de mim e do modus sorrir é o que sabeis? Por que choreis o ébrio que vos abateis o Ebro desencanto? 

Ó chagas essas tão eternas.
Não os deis a saberem do sol que não há.
Não os deis a saberem! Não os deis a luz! Não os deis a saberem do orgulho que ressuma de todas as minhas chagas.

Hás-me de ser – de o mau, e o mal ser belo o bom não saber?
Hás-me de ser - de o bem, e o mal me quer ser o bem querer?
Ó deu-as nas águas ondulantes de Tessália uma profecia anunciada: doravante chagas eternas essas tão curadas.


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O SAL & A CAL [PRÊMIO POESIA AGORA - EDITORA TREVO - SÃO PAULO] [MANOEL SERRÃO]



A safra do sal em grãos farta a lavra encharca o chão.
Safa-se em sacas o grão-patrão, faz do silo farto um cio em Gaia,
E do latifúndio quão o Olimpo um Céu à mão.

A "safra” da cal a cruz, o poial, o caos de Hades, a escuridão.
Purga o servo O Ser-Adão, a servil Eva sem-terra na precisão,
E da fé a dê lírica ilusão d'Asa Branca partir como um "avião".

O Ser a morte antes que o destino por sorte condene-o à morte?
Chora o lamento, agoniza dorido o martírio... Ó maldita agoniação!
E roga o pio, paga a novena em vão, troca o sonho pela unção.
Mas a gleba cava que não lhe augura o pão? Acaba sem-grão!

Ao passo que o fero infenso cego Cabra da peste,
Em dilatada ira, sem “opor-se ao pão”, cede à boca do cano,
Gira mira, nega o feito o vil no peito e odioso aponta...
Mas a conta que arroga o Amo pela "cava" do chão?
O dedo acaba no Cão!




CRÍTICA LITERÁRA POR: Francisca Ester de Sá Marques, ou como é mais conhecida Ester Marques é atualmente professora adjunta do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão. Possui mestrado em Comunicação e Cultura pela Universidade de Brasília. É autora de vários artigos e do livro Mídia e Experiência Estética na Cultura Popular. Faz parte da Comissão Maranhense de Folclore. Ex-Secretária da Culturaa do Estado do Maranhão. Hoje Assessora Especial do Governo do Maranhão.

A cal e o sal


O primeiro sentimento que a poesia a cal e o sal nos
Desperta é o espanto seco e duro que observamos, por.
Exemplo, na obra Vidas Secas de Graciliano Ramos.
Quando expressa um sentimento semelhante sobre a seca
No nordeste. É uma poesia chocante que nos leva a pensar
A dualidade yin/yang da vida. Para que lado, nós queremos.
Ir?
Depois desse choque inicial, a segunda leitura.
Murmura mais leve aos nossos sentidos angustiados e, no.
Mastigar de cada palavra, descobrimos a beleza latente e.
Abrupta que surge em cada verso. É uma poesia crua,
Densa e crítica, mas ao mesmo tempo, intencional e.
Voluptuosa que nos impulsiona a refletir sobre a realidade,
Sobre as desigualdades, sobre a fertilidade que brota Da.
Terra... que brota do homem.
Nesta poesia, o que distingue a criação da criatura? A
Criação é fruto de uma anamnese sofrida, prenhe de amor,
Pronta a revelar-se/desvelar-se que se defronta com um
Criador que se esconde porque a sua identidade o
Incomoda tal como a realidade carente que o rodeia.

Criação e criatura fundem-se, no entanto, na poesia que.
Encanta e seduz, no equilíbrio rítmico das palavras que.
Despertam o nosso imaginário, na simbologia que fere e.
Incomoda.



Comentário de Lustato Tenterrara em 22 maio 2010 às 17:25 Lindo poema, Poeta. Saiba que muito nos honra tua presença em nossas redes sociais.Parabéns pela brilhante inspiração, tão forte, tão febril, tão crua e nua que teu poema Sal e Calcerca-nos, leitores, com a visão sinistra de uma miséria mil vezes dita e que continua muda em face da falta de consciência dos Governos-Estados, dos países dito "ricos". E são ricos não à custa da fome que assola nosso planeta, pois recente estudo oriundo do Gabinete da Presidência da República (Brasil) revelou que com a metade dos recursos "doados" aos grandes bancos por ocasião da crise financeira de 2009, seria suficiente para acabar com a fome no planeta. Uma vergonha que a fome dos desvalidos irá cobrar no Dia do Juízo, de todos aqueles que, dolosamente, omitiram-se ou deixaram de agir.Um abraço. PS.: A gravura de Portinari, além de lindíssima, inteira toda a trama, dá vida, mais ainda, ao holocausto do século 21. Portinari, com sua tela crua; Manoel Serrão, com suas palavras ferinas. Comentário de Lustato Tenterrara ao poema Sal e Cal, de Manoel Serrão.



Bom dia,

O Prêmio Poesia Agora - Primavera 2019 recebeu, no período de 16 de julho de 2019 a 16 de outubro de 2019, mais de 3.000 inscrições de todo o Brasil. A Editora Trevo informa que recebeu da comissão julgadora, no dia 24 de novembro, a lista protocolada dos candidatos classificados no processo seletivo. 

Parabéns. A sua poesia foi classificada e fará parte do livro, “Prêmio Poesia Agora – Primavera 2019"! 

Para confirmar sua publicação, responda este e-mail confirmando o nome que deseja assinar no poema (seu nome artístico) e o endereço, com CEP, para a entrega dos exemplares. 

Em breve, uma lista dos classificados será divulgada em:

http://editoratrevo.com.br/ premios/ poesiaagoraprimavera2019/

Lembrando que a Antologia Poesia Agora é uma coleção que produz com muito carinho e como outras edições, bem como nossos outros livros, pode ser conferida nos sites:  http://editoratrevo.com.br  e  http://www.benfazeja.com.br. 

Muito obrigado mesmo pela participação!

Seu Editor,
Luís Nogueira

 

Copyright © 2019 *Editora Trevo*, Todos os direitos reservados.

Nosso endereço:
Editora Trevo
Rua Delmar Soares, 65
São Paulo , SP 02625-160
Brasil


Nota: a imagem tela "Retirantes" de CÂNDIDO PORTINARI.




 




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CARAMELO [Manoel Serrão]






Uma existência? Uma existência é como um caramelo que a saliva da vida encarrega-se de derretê-lo. 
Na boca do tempo, quando caba? Resta só a saudade do outro.












COMENTÁRIO por: Joao Batista Gomes Do Lago Lindíssimo, poeta ManoelSerrão SilveiraLacerda. Permita-me este breve comentário, que não tem a intenção de sê-lo uma análise do poema (AP), mas tão-somente uma expressivisibilidade da subjetividade dada que o poema me causa. Como um demiurgo, o Poeta, põe para "dançar" no palco do seu teatro de criação/criador/(in)criado, sob a regência de uma sinfonia delirante - mas ao mesmo tempo extraordinariamente harmoniosa -, o maior de todos os dilemas filosóficos do Homem (homem/mulher): o "Ser" existe ou o "Ser" vive? Nessa dicotomia, os atores (existência, caramelo, saliva, vida, tempo, saudade e outro) dão saltos esteticamente perfeitos uns sobre (e sob) os outros, provocando um imbricamento no "pas de deux" da sua dança poética. Esse imbricamento leva à construção de "saltos" tricotômicos, e até mesmo de caráter de quatro dicotomias, ou seja: sincronia/diacronia; língua/fala; significado/significante; sintagma/paradigma. Lê o poeta ManoelSerrão SilveiraLacerda (infelizmente ainda inédito), aos meus olhos, é sempre um exercitar da mente/imagem/linguagem. Reconheço: não é uma tarefa fácil, pois o poeta é, talvez(!?), nos dias atuais, o mais hermético que se insurge literariamente em terras maranhense e brasileira.

NOTA: João Batista do Lago [“João Batista do lago, maranhense, pode ser considerado, atualmente, um dos mais completos poetas e cronistas do Brasil, haja vista a consciência plural e significativa de sua intuição cultural, fato que o faz passear entre musgos históricos gregos e o modernismo clariciano, espargindo o pensamento poético alemão, americano ou inglês, sem esquecer das taças saboreantes dos vinhos que enebriaram o cismar dos poetas franceses como BAUDELAIRE (Charles Baudelaire), MALLARMÉ (Stéphane Mallarmé), FRANÇOIS COPÉE (François Édouard Joaquim Copée) e MUSSET (Louis Alfred de Musset) – o poeta do amor. Como eu, o Maranhão e o Brasil também, creio, se orgulham de João Batista do Lago, uma das maiores expressões literárias do mundo moderno. Fato que, realmente não deixa a desejar se comparado a nenhum dos franceses acima citados”. Marconi Caldas Poeta, escritor e advogado São Luís – Maranhão – Brasil 2007].

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Ó GAU, CÁ LI ISTO! [Manoel Serrão]


Ora o grés, o grão poejo, o pó poento o Eu “sub” limbo,
o cão pulguento invisível;
Ora o Outro esculpido, a dolo mítico, o indivisível “granito”.

Ora o gris, O pão sobejo, o refolho joio. o Eu gregário, o debuxo osso;
Ora o Outro o genoma, à hachura o fosso.

Ora a grã o vã, a cã, o ego, o elo apego. o Eu Aleteia prosimetron assíndeto;
Ora o Outro omofágo obverso o adejo.

Ora a Gaia, a goma, o gene, o indisruptivo rizoma,
O Eu diverso, o verbo, o adverbio, o adverso plural;
Ora o Outro em nós à servidão entranha.

Ora o dual de polos e de pares opostos,
O Eu maré de cima e maré de baixa.
Ora o Outro uno afeito de causa e causa e efeito.

Ora o todo mental e tudo mente infinita,
O Eu estado acima estando abaixo e acima.
Ora o Outro onde ressoa multi Universos infinitos

Ora todos por todos como essência,
O Eu como essência parte do todo.
Ora o Outro que é tudo e todos no presente nós!

Ora o Eu Ou Ora o Outro.  Os iguais Os desiguais... 
Um Eterno, imutável;
Ora o Outro, relativo, o mutável.

Ora o Eu a parte Eterna mediada pelo variável...
Ora o Outro que deu voz aos ambíguos!...
Ó Gau Ou cá li isto! Ou vire o cálice! Está tudo aí?...




GAU [Grande Arquiteto do Universo].


 

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DÉCOR [Manoel Serrão]




Daquele amor décor, restou:

Alguns mosaicos de xadrez pisado.
Um tapete [persa] puído
E um marrom-Rembrandt surrado.

O resto o tempo levou.
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TORTUOSA [Manoel Serrão]



ToRtA. 
AsSimÉtRicA.

       I
          n
             c
                l
                   i
                      n
                         a
                             d
                                A...
        A culpA dEsconstrói A verdAde,
                            E constrói  A desculpA.
                            É O desconstruir-do-mais-que-perfeito!


Comentário: A “Tortuosa” dialética do exterior e do interior do Ser esquartejado por
© DE João Batista do Lago:



Comentário de João Batista do Lago [“João Batista do lago, maranhense, pode ser considerado, atualmente, um dos mais completos poetas e cronistas do Brasil, haja vista a consciência plural e significativa de sua intuição cultural, fato que o faz passear entre musgos históricos gregos e o modernismo clariciano, espargindo o pensamento poético alemão, americano ou inglês, sem esquecer das taças saboreantes dos vinhos que enebriaram o cismar dos poetas franceses como BAUDELAIRE (Charles Baudelaire), MALLARMÉ (Stéphane Mallarmé), FRANÇOIS COPÉE (François Édouard Joaquim Copée) e MUSSET (Louis Alfred de Musset) – o poeta do amor. Como eu, o Maranhão e o Brasil também, creio, se orgulham de João Batista do Lago, uma das maiores expressões literárias do mundo moderno. Fato que, realmente não deixa a desejar se comparado a nenhum dos franceses acima citados”. Marconi Caldas Poeta, escritor e advogado São Luís – Maranhão – Brasil 2007].

A inserção do poema, ou do poeta, num determinado campo literário é algo complicado, posto que, quando o Poeta produz o faz a partir da sua - e somente sua - cosmovisão, ou ainda, da sua mundanidade ou mundidade representacional, ou mais especificamente, do seu universo holístico. Contudo, por mais que não queiramos, a literatura exige que encaixemos o texto num determinado discurso. Apesar disso, ouso aqui não intentar, para esta belíssima obra de Manoel Serrão, uma Escola Literária para, assim, fixá-lo nela.

"Tortuosa" é um poema que traduz uma carga de significados excepcional. Mas não só isto: o poema traz, em si, ainda, o conteúdo de seus significantes (também!). Ao inferir este pensamento quero, desde logo, chamar a atenção para o campo teleológico, ou seja, do argumento, conhecimento ou explicação que relaciona um fato com sua causa final. 

E o que é que se relacionam neste poema? Ouso responder: a dialética dos universos "externo" e "interno", que se traduzem e re-traduzem na concretude de entes que se digladiam na extensividade da dialética do sim e do não, aqui entendidos como a construção e a descontrução do discurso do poema-de-si. 

É muito interessante, e salutar, perscrutar este poema mínimo porque, de cara, ele nos revela e desvela uma questão fundante: não é preciso um trem de palavras para se atingir o fato com sua causa final. Neste caso, por exemplo, Manoel Serrão não precisou mais que dezoito palavras para atingir, belíssimamente, a causa final: a tortuosidade assimétrica da “verdade”. 

E essa constatação se torna efetiva na mesma proporção em que o sujeito que fala no poema se internaliza tanto no espaço externo quanto no espaço interno, dialetizando a verdade pelo viés da culpabilidade.

E de posse da "culpa", uma característica da essencialidade da "verdade", produz-se o processo da construção e da desconstrução do Ser e do não-ser: não é à-toa que a palavra "inclinada" vem grafada verticalmente.

Ora, isso nos sugere uma tipologia de torre (seria a Torre de Babel?) construída e desconstruída assimetricamente, isto é, há uma relação de correspondência desse corpo, seja na forma, seja na grandeza, assim como na localização entre as partes existentes de um lado e do outro de determinada linha, plano ou eixo.

"O exterior e o interior formam uma dialética de esquartejamento, e a geometria evidente dessa dialética nos cega tão logo a introduzimos em âmbitos metafóricos. Ela tem a nitidez crucial da dialética do sim e do não, que tudo decide. Fazemos dela, sem o percebermos, uma base de imagens que comandam todos os pensamentos do positivo e do negativo" - (BACHELARD, Gaston, in A POÉTICA DO ESPAÇO, P. 215).

Porventura, não é de fato um esquartejamento visceral dessa verdade "inclinada" se movimentando de um lado para o outro como se fosse um pêndulo sustentado por um fio metafórico ou a representação pessoal da mente do sujeito que fala no poema? É claro que sim!

Mas, quem é que está sendo esquartejado, construído e desconstruído, na verticalidade “inclinada”? É o “O” do último verso.

Eis, pois, aqui e agora, o Ser da construção e da desconstrução. E quem é esse “O”? É exatamente o Homem (homem/mulher), que se auto constrói e se auto desconstrói, numa tentativa desesperada de se fazer sentido, de se dar sentido como o Ser de significados e significantes.
__________
Curitiba – Paraná
11/fev./2009

 

 

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Comentários (1)

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321alnd

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.

Perfil Nome completo: Manoel Serrão da Silveira Lacerda. Idade e naturalidade: Nasceu em São Luís [Atenas Brasileira] capital do Estado do Maranhão, na Santa Casa de Misericórdia, em 19 de abril de 1960. Filiação: Filho de Agamenon Lucas de Lacerda e de Oglady da Silveira Lacerda. Neto paterno de Manuel Lucas de Lacerda e Maria Antônia Lucas de Lacerda; neto materno de Hidalgo Martins da Silveira e Maria José Serra da Silveira. Ascendência geral de espanhóis e portugueses judeus. Profissão: Advogado e Professor de Direito, formado pela Faculdade de Direito do Recife - UFPE, curso criado pela Carta Lei de 11.08.1827 - publicada em 21.08.1827 - Chancelaria Mor do Império do Brasil, que no passado acolheu dois presidentes: Epitácio Pessoa, em 1886 e Nilo Peçanha, em 1887. Acolheu outros nomes, os quais enriqueceram a nossa cultura como: Rui Barbosa. Castro Alves. Augusto dos Anjos. Ariano Suassuna. Miguel Arraes. Francisco Julião. Barão do Rio Branco. Barão de Lucena. Joaquim Nabuco. Fagundes Varela. Raul Pompéia. Tobias Barreto. Graça Aranha. Álvaro Lins. José Lins do Rego. Pontes de Miranda. João Pessoa. Clóvis Bevillaqua. Silvio Romero. Adolfo Cisnes. Assis Chateaubriand. Agamenon Magalhães. Luís Câmara Cascudo. Aurélio Buarque de Holanda, e tantos mais. Dimensionar a origem do berço poético do autor, assim como a dimensão e a importância do Maranhão para a cultura nacional, peço vênia para transcrever um pequeno trecho da obra do imortal membro da Academia Maranhense de Letras o professor Jomar Moraes, intitulada - Apontamentos de Literatura Maranhense - edições sioge - nota bene: "Sem receio de qualquer exagero chauvinista diríamos que a presença do Maranhão na literatura nacional se caracteriza, principalmente, pelo vanguardismo que sempre colocou nossos homens de letras à frente dos debates das novas ideias e da renovação de padrões estéticos. Do negrismo de Trajano Galvão ao neoconcretismo de Ferreira Gullar; do ideário estético e nacionalista de Gonçalves Dias às antecipações modernistas de Sousândrade; da lucidez analítica de João Francisco Lisboa ao ensaísmo da Franklin de Oliveira e Oswaldinho Marques; dos estudos folclóricos de Celso Magalhães ao romance naturalista de Aluísio de Azevedo; dos estudos de Nina Rodrigues à renovação estética pregada e apoiada por Graça Aranha, tudo revela e comprova a clara vocação de pioneirismo e liderança que assinala uma das mais características e importantes facetas da nossa participação na cultural nacional". E ainda, de Coelho Neto, Teófilo Dias, Vespasiano Ramos, Raimundo Teixeira Mendes, César Marques e muitos outros de uma constelação que brilha desde meados do século XIX. Dois dos quais – Gonçalves Dias e Teófilo Dias – são patronos de cadeiras na Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras, à Akademia dos Párias, dentre eles: Fernando Abreu, Paulo Melo Sousa, Garrone, Paulinho Nó Cego, Marcello Chalvinski, Zé Maria Medeiros, Celso Borges. Podemos citar: Arthur Azevedo; Catulo da Paixão Cearense; Bacelar Vianna; Bandeira Tribuzi; Padre Antônio Vieira [Sermão aos Peixes]; Odorico Mendes; Sotero dos Reis; João Francisco Lisboa; Gentil H. de Almeida Braga; Custódio A. P. Serrão [Frei]; Trajano Galvão; Josué Montello; Nauro Machado; José Sarney; José Chagas; José Maria Nascimento; Laura Amélia Damous; Luís Augusto Cassas; Alex Brasil, Antônio Miranda, Carlos Cunha, Dagmar Desterro, Joãozinho Ribeiro, Lago Burnett, Odylo Costa, Roberto Kenard, Salgado Maranhão, Vespasiano Ramos, Joaquim Haickel, João Batista Gomes do Lago; Mhario Lincoln; Lenita de Sá, João Paulo Leda, Evilásio Júnior, Antônia Veloso, Luiza Cantanhede, Zélia Maria Bacelar Viana, além de muitos tantos outros.