ÓCIO [Manoel Serrão]

Ócio... Ócio...
Ócio só é dócil se conciso.
Senão: vira ópio, negócio,
Divórcio ou caso de hospício!


Filhos da lua.
Só há noites sem fim.
Lençóis d'areias!
POETRIX: É constituído com no máximo 30 (trinta) sílabas métricas distribuídas em 03 (três) versos (terceto); dissidente dos haicais, de origem japonesa. Mas diferentemente do haicai, é exigível o título do poetrix, que não entra na contagem silábica e pode dá complementariedade ao texto.
NOTA: Dedico-o a toda nação albina que habitam a vastidão dos Lençóis Maranhenses situado no Estado do Maranhão. O albinismo é caracterizado pela ausência de pigmentação da pele, dos cabelos e dos olhos, portanto a luz do sol é seu maior "desafeto" e a lua a sua maior aliada. Durante o dia não praticam qualquer atividade sob a luz solar, contudo no escuro das noites se tornam os filhos da lua.
Bala à bala?
Bala é Bala!
Bala não cala bala.
Bala bate.
Bala abala.
Bala abate!
Bala à bala?
Bala obus cala.
Bala "trem bala" passa...
Bala doce acalma.
Bala... Bala... Bala traçada basta?..
Bala [ , ] para que te quero? Bala!

Oh! Deia dos célios, sonho idílio, rubra luz de ingente encanto.




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Ó tivéssemos! Tivéssemos... Inda tivéssemos as epopeias homéricas – a ilíada e a Odisseia – a visão olímpica da existência, a expressão do deus Apolo de Delfos. Tivéssemos o modos respeito à efígie, o sujeito ético não objeto, a "justa medida" – a valorativa proporção em comedida porção por todas as fases da vida.
Ó tivéssemos! Inda tivéssemos... Tivéssemos a sertaneja epopeia – a saga d’a Pedra do Reino -, a visão dual sobrenatural, a expressão de Dom Pedro-Quaderna. Ó tivéssemos o modus sublime de olhar por meio da imago o universo popular. Tivéssemos os dois rochedos a sangue humano regados. Tivéssemos os fiéis sacrificados feito todos poderosos imortais ressuscitados. Ó tivéssemos!
Ó tivéssemos! Tivéssemos... Ó tivéssemos salvos os povos das florestas; Anastácias, Dandaras das cafuas, Luíses da Gama e os Zumbis da escravidão. Ó tivéssemos a dessedenta do Nordeste: a sebastiânica redenção. Tivéssemos dado cabo aos filhos da servidão. Tivéssemos as Cabras da Peste, o Rei do Cangaço -, Virgulino Lampião à sua imagem e semelhança. Ó sim sinhô! Tivéssemos Catulos, Vitalinos, Machados e Suassunas. Tivéssemos Joões do Vale, Patativas, Lobatos, Amados e Brennand's. Tivéssemos Montelos, Sousândrades, Gullas, Nauros e Gonzagões! Ó inda tivéssimos!!
Ó tivéssemos! Tivéssemos... Inda tivéssemos o drástico da tese; a cura pura para a incúria da peste; a norma culta menos culta distraida informal; o oblio obus para os corruptos e perversos! Tivéssemos o perplexo insano, os dês perfeitos, o imorredouro perpétuo!
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Comentário de Lustato Tenterrara em 22 maio 2010 às 17:25 Lindo poema, Poeta. Saiba que muito nos honra tua presença em nossas redes sociais.Parabéns pela brilhante inspiração, tão forte, tão febril, tão crua e nua que teu poema Sal e Calcerca-nos, leitores, com a visão sinistra de uma miséria mil vezes dita e que continua muda em face da falta de consciência dos Governos-Estados, dos países dito "ricos". E são ricos não à custa da fome que assola nosso planeta, pois recente estudo oriundo do Gabinete da Presidência da República (Brasil) revelou que com a metade dos recursos "doados" aos grandes bancos por ocasião da crise financeira de 2009, seria suficiente para acabar com a fome no planeta. Uma vergonha que a fome dos desvalidos irá cobrar no Dia do Juízo, de todos aqueles que, dolosamente, omitiram-se ou deixaram de agir.Um abraço. PS.: A gravura de Portinari, além de lindíssima, inteira toda a trama, dá vida, mais ainda, ao holocausto do século 21. Portinari, com sua tela crua; Manoel Serrão, com suas palavras ferinas. Comentário de Lustato Tenterrara ao poema Sal e Cal, de Manoel Serrão. |
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