Lista de Poemas

FRÁGIL [Manoel Serrão]




Cuidado, frágil!
O lado da vida para cima.
 
836

ATENÇÃO! [Manoel Serrão]








Pare.

Olhe.
Escute para vias cruzadas,
Não parar vidas no chão.
 
603

FILHOS DA LUA [Manoel Serrão]



Filhos da lua.

Só há noites sem fim.
Lençóis d'areias!



POETRIX: É constituído com no máximo 30 (trinta) sílabas métricas distribuídas em 03 (três) versos (terceto); dissidente dos haicais, de origem japonesa. Mas diferentemente do haicai, é exigível o título do poetrix, que não entra na contagem silábica e pode dá complementariedade ao texto.

NOTA: Dedico-o a toda nação albina que habitam a vastidão dos Lençóis Maranhenses situado no Estado do Maranhão. O albinismo é caracterizado pela ausência de pigmentação da pele, dos cabelos e dos olhos, portanto a luz do sol é seu maior "desafeto" e a lua a sua maior aliada. Durante o dia não praticam qualquer atividade sob a luz solar, contudo no escuro das noites se tornam os filhos da lua.

569

Ó ÍNDIA-LUSA-AFRO-FRANCA SÃO LUÍS BRASILEIRA [Manoel Serrão]




Ó Índia bela! Bela São Luís das tabas, upaon-açú das matas onde Tupã turgira e o Tupi reinara.
És tu, ó nativa encarnada da pele vermelha, do canto tribal das ocas e de todas as caças.
És tu, ó – antropofágica das clavas, dos arcos e flechas e das zagaias de "hasta ferro" afiadas.
É tu, mãe guerreira dos Tupinambás – chão ancestral dos Maranha guaras: oh! Quanto Céu...
Quanto Sol resplandecente, quanto Mar em vós a Terra hoje triste chora por teus Filhos extintos da Mata!
                                
Ó Lusa bela! Bela São Luís grã-fina, esplendor da corte quão do arrojo dos cristãos novos de Portugal.
És tu, ó divina Atenas -, a’ voz do verso e da prosa de sustê-la na poesia o verbo amar.
És tu, ó verve magnética de imporessina refinada, - a guardiã da plêiade e do panteão dos sábios imortais.
Oh! Quanta beleza deu-te D’us a vós por altiva colossal -, a coroar-te em eiras - mirantes - e beiras quão uma poesia de pedra e cal.
 
Ó Negra bela! Bela São Luís odara, bendicta deidade “negra-mina” da raça.
És tu, ó África do fausto e da gloria do Negro Cosme na luta pela liberta escrava.
Ó sincrética do "averequete" e do Vodu encantado, o mais rico legado de São Benedicto - à Casa de Mina consagrada.
É tu, a voz do quilombo que se levanta contra martírio das senzalas: a resistência da raça que a bravura do filho não tarda.
 
Ó c’roa airosa imorredoura séc’la dos mourejares que se aformoseia ao pé do mar.
És tu, Ilha bela São Luís qu'inda bela ‘stá da pedra d‘alcantaria desenhada.
Ó vetusta ambígua do abraço do novo e do velho pela vida, rosa que nunca se basta.
És tu, ó régia, o elo da tríade, a pétala livre da rosa, a exora étnica unitiva - idílio universal - mais viva das raças.
 
Ó joia poética de fascinar a íris de aquarelas e praias mais belas!  Bela como o azul do céu refletida no azul do mar.
És tu, ó Ilha bela! Beleza orlada de luz e banhada em vivas águas, a ascese mística de Iemanjá.
És tu, ó deia, que só, a vós escrevo e só por vós minh. ‘alma dou-te, e dou-te, porque te amo,
E amo-te, porque preciso amar-te!
 
Ó São Luís encantada das velas rebelas que passeia por esse "Mar'Anhan" do passado e presente.
És tu, ó Ilha de peregrina beleza, onde a vida entre ruas e becos corre-lhes em récitas como os versos do poeta;
És tu, ó onde o ungido Rei Sebastião por vós se fez da ápode encantado, a lenda e o mito atemporal dos magos.
Ó tu que no amanhecer em veste de folhas novas e maresia cheirosa, surges entremeia inda mais bela na brumosa alvorada.
 
Ó enamorada, inda quero-te chegar e aos éditos dos teus mistérios amorosos abraçarem-te!
És tu, ó São Luís do eflúvio das rosas e das gotas de orvalho que escorre pelos galhos cheirosos.
Ó assim, te quero com o sempre azul do céu e do mar anil beijando a cais na Sagração de paz, te quero!
Ó como assim te quero o mar que atravessa o Bacanga e o zéfiro soprando leve um suave murmurinhar.
 
Ó Bela! Bela! Bela São Luís da Praia Grande bela, quermesse de luz, fé e calor. Folgança bela de punga gira e tambor. 
Ó Bela criação tu és como o luar encantado de amor, onde os telhados refulgem como espelhos o luar, 
E as paredes dos teus casarios brilham preciosos de azulejos no rosto das madrugadas tu'alma de fleur.
 
Ó mademoiselle, Minh ‘alma e rainha, ah, minha amada Ilha imortal São Luís meu amor.
Ó filha da vontade poderosa Rei que por coroar-te a cabeça Vossa Alteza te criou;
És tu, ó eternal guardiã dos abraços incontidos das raças a Nova Luz.
E assim, a vós, e somente, a vós cabeis à posse definitiva dos pores-do-sol da nova França.
Oh!  Então que sejais assim amada, por Amor de Deus e de Nós? Eterna Luz, O Novo Sol!

 

 

 

 












1 214

EM BONS LENÇÓIS [Manoel Serrão]



Aprecio a cama; os lençóis em goma; e os travesseiros de seda macia, a quê me apego todo dia como vício da consciência tranquila!

606

BAILARINA [Manoel Serrão]




Longilínea.
A estrela bailarina,
Baila oblíqua.








POETRIX: É constituído com no máximo 30 (trinta) sílabas métricas distribuídas em 03 (três) versos (terceto); dissidente dos haikais, de origem japonesa. Mas diferentemente do haikai, é exigível o título do poetrix, que não entra na contagem silábica e pode dá complementariedade ao texto.

 

526

MERCADO PRAIA GRANDE SÃO LUÍS MARANHÃO [Manoel Serrão]




Por entre escarras vazas que baforam das bocas ofídicas dos canos;
Por entre chaminés, fuligem e prédios que se espalham pelo perímetro urbano;
E, por entre vielas esburacadas, ruas, ladeiras, travessas, becos, corredores e vias desconhecidas, assim, me deixou levar pelas marginais sujas.

Nunca havia atentado para o odor de aerossóis vencidos, o aroma do perfume barato e para o mau cheiro insuportável da ureia amônia.

Nunca havia reparado para a lama das sarjetas, o chorume, a podridão das fezes espalhadas pelas calçadas, e para o dióxido de enxofre e [CO2] carbono invasivo que entranha pelas narinas humanas.

Nunca havia atentado para a rara fartura da ceia que sob aquele “leve” manto atmosférico, o sujeito "invisível" saciava a fome; Saciava-se num desjejum “pingado” com pão mofado de suor e cansaço;
Saciava-se no apressado da buzina de um velho [chofer na boleia] FMN [FÊ/NÊ/MÊ] da boleia encarnada.

Nunca havia reparado para o cuscuz cortado no vapor dobrado, servido com bolinhos de arroz queimando; nem reparado para o barulho embrulhado de cem mil decibéis em ondas carregadas de papel picado pelo pálio central do mercado.

Ó mas vi! Vi que:
Havia cargas e descargas de terra e água, de fogo e ar na hora marcada.
Vi que: havia cargas e descargas de frutas, plantas, leguminosas, secos e molhados.
Vi que: haviam cães pirados latindo no assédio ao "chocolate" da cadela do cio.
Havia tragos, bebuns e vidros quebrados no pigarro dobrado da esquina.
Havia pregões e pregoeiros a pé ligeiros,
E havia peixeiros, açougueiros cheirando rapé no espirro do verdureiro.

Vi que: havia o pífio, a puta, a ladra e o ladrão.
Havia o ócio, o negócio e o divórcio.
E havia o gigolô e o cafetão de conluio com a gang do "Alemão".

Ó vi a separação e as diferenças.
Sim, a “nata” de tudo e de todos os diferentes.
Uns movidos pela fé e a razão, outros pela dor de privar da ração que o “sustentam”. O limite. O front. Os “muitos” sem que pudessem sustentar nem colonizar suas próprias vidas na construção de “pontes” como forma de descobrir e reconhecer em si mesmo O outro.

Lá para as cinco, jacto de luz irrompe com o sol da manhã,
Beijando-me a face e a retina refratadas no ray-ban de laminado cristalino,
E eis que me vem à cônscia razão de que o Ser-homem é só uma imagem de luz impressa na substância.

Transpassado o portal do coração oferto-lhes em suaves porções por detrás do balcão, poemas em versos de amor e paixão.
Ah! Nenhum freguês? Não importa! Os poetas e os amantes são doidos mesmos!
Mas no meio do mercado andai como os Leões.



696

AZUL [Manoel Serrão]



Como o céu que já choveu:

O olhar do meu amor,
Fora azul que nem o seu.

 

587

O PANÓPTICO [Manoel Serrão]

Sempre simples doce vazia, 
Sempre sonante melódica.
Sempre simples “mãozinhas pra cima”, 
Sempre letra garapa melosa.

Sempre simples "pedra de toque", 
Sempre esponja feiúra porosa.


Sempre o simples bis o estribilho a pulsão,
Sempre o chiclete mascado à repetição.
Sempre simples diluídas – isolinhas - em pequenas rimas,
Sempre o blá-blá-blá o abc de à adestração.
Sempre simples o muito alongado ã de vão,
Sempre a "Novilíngua" a "Novafala" à supressão.

Sempre a sampler simples disciplinada,
Sempre o degrau da base a parada.
Sempre a loop simples sem a virada retocada,
Sempre a batida percutida manjada.
Sempre o role-play simples o domínio público,
Sempre o poder da penetração na massa devotada.

Ó swingueira? Ó axé music?
Camaleão não é panóptico,
Nem chiclete com quebradeira é protótipo.
Oh yeah! Então, “Vaza canhão”!
Oops, e opina o trash: Ou Cae o bicho-do- pé ou “Rala a Tcheca no chão”!


 

737

GRAVIDADE [Manoel Serrão]

Bela! Bela!
Bela  anca. 

Bela  bunda.
Bela  dança rabo-de-saia! 

A

g
      r
a
      v
i
      d
a
      d
e

Ainda
vai quebrar tua cara! 
705

Comentários (1)

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321alnd

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.

Perfil Nome completo: Manoel Serrão da Silveira Lacerda. Idade e naturalidade: Nasceu em São Luís [Atenas Brasileira] capital do Estado do Maranhão, na Santa Casa de Misericórdia, em 19 de abril de 1960. Filiação: Filho de Agamenon Lucas de Lacerda e de Oglady da Silveira Lacerda. Neto paterno de Manuel Lucas de Lacerda e Maria Antônia Lucas de Lacerda; neto materno de Hidalgo Martins da Silveira e Maria José Serra da Silveira. Ascendência geral de espanhóis e portugueses judeus. Profissão: Advogado e Professor de Direito, formado pela Faculdade de Direito do Recife - UFPE, curso criado pela Carta Lei de 11.08.1827 - publicada em 21.08.1827 - Chancelaria Mor do Império do Brasil, que no passado acolheu dois presidentes: Epitácio Pessoa, em 1886 e Nilo Peçanha, em 1887. Acolheu outros nomes, os quais enriqueceram a nossa cultura como: Rui Barbosa. Castro Alves. Augusto dos Anjos. Ariano Suassuna. Miguel Arraes. Francisco Julião. Barão do Rio Branco. Barão de Lucena. Joaquim Nabuco. Fagundes Varela. Raul Pompéia. Tobias Barreto. Graça Aranha. Álvaro Lins. José Lins do Rego. Pontes de Miranda. João Pessoa. Clóvis Bevillaqua. Silvio Romero. Adolfo Cisnes. Assis Chateaubriand. Agamenon Magalhães. Luís Câmara Cascudo. Aurélio Buarque de Holanda, e tantos mais. Dimensionar a origem do berço poético do autor, assim como a dimensão e a importância do Maranhão para a cultura nacional, peço vênia para transcrever um pequeno trecho da obra do imortal membro da Academia Maranhense de Letras o professor Jomar Moraes, intitulada - Apontamentos de Literatura Maranhense - edições sioge - nota bene: "Sem receio de qualquer exagero chauvinista diríamos que a presença do Maranhão na literatura nacional se caracteriza, principalmente, pelo vanguardismo que sempre colocou nossos homens de letras à frente dos debates das novas ideias e da renovação de padrões estéticos. Do negrismo de Trajano Galvão ao neoconcretismo de Ferreira Gullar; do ideário estético e nacionalista de Gonçalves Dias às antecipações modernistas de Sousândrade; da lucidez analítica de João Francisco Lisboa ao ensaísmo da Franklin de Oliveira e Oswaldinho Marques; dos estudos folclóricos de Celso Magalhães ao romance naturalista de Aluísio de Azevedo; dos estudos de Nina Rodrigues à renovação estética pregada e apoiada por Graça Aranha, tudo revela e comprova a clara vocação de pioneirismo e liderança que assinala uma das mais características e importantes facetas da nossa participação na cultural nacional". E ainda, de Coelho Neto, Teófilo Dias, Vespasiano Ramos, Raimundo Teixeira Mendes, César Marques e muitos outros de uma constelação que brilha desde meados do século XIX. Dois dos quais – Gonçalves Dias e Teófilo Dias – são patronos de cadeiras na Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras, à Akademia dos Párias, dentre eles: Fernando Abreu, Paulo Melo Sousa, Garrone, Paulinho Nó Cego, Marcello Chalvinski, Zé Maria Medeiros, Celso Borges. Podemos citar: Arthur Azevedo; Catulo da Paixão Cearense; Bacelar Vianna; Bandeira Tribuzi; Padre Antônio Vieira [Sermão aos Peixes]; Odorico Mendes; Sotero dos Reis; João Francisco Lisboa; Gentil H. de Almeida Braga; Custódio A. P. Serrão [Frei]; Trajano Galvão; Josué Montello; Nauro Machado; José Sarney; José Chagas; José Maria Nascimento; Laura Amélia Damous; Luís Augusto Cassas; Alex Brasil, Antônio Miranda, Carlos Cunha, Dagmar Desterro, Joãozinho Ribeiro, Lago Burnett, Odylo Costa, Roberto Kenard, Salgado Maranhão, Vespasiano Ramos, Joaquim Haickel, João Batista Gomes do Lago; Mhario Lincoln; Lenita de Sá, João Paulo Leda, Evilásio Júnior, Antônia Veloso, Luiza Cantanhede, Zélia Maria Bacelar Viana, além de muitos tantos outros.