Lista de Poemas
O PANÓPTICO [Manoel Serrão]

Sempre simples doce vazia,
Sempre sonante melódica.
Sempre simples “mãozinhas pra cima”,
Sempre letra garapa melosa.
Sempre simples "pedra de toque",
Sempre esponja feiúra porosa.
Sempre o simples bis o estribilho a pulsão,
Sempre o chiclete mascado à repetição.
Sempre simples diluídas – isolinhas - em pequenas rimas,
Sempre o blá-blá-blá o abc de à adestração.
Sempre simples o muito alongado ã de vão,
Sempre a "Novilíngua" a "Novafala" à supressão.
Sempre a sampler simples disciplinada,
Sempre o degrau da base a parada.
Sempre a loop simples sem a virada retocada,
Sempre a batida percutida manjada.
Sempre o role-play simples o domínio público,
Sempre o poder da penetração na massa devotada.
Ó swingueira? Ó axé music?
Camaleão não é panóptico,
Nem chiclete com quebradeira é protótipo.
Oh yeah! Então, “Vaza canhão”!
Oops, e opina o trash: Ou Cae o bicho-do-pé ou “Rala a Tcheca no chão”!
PREDADOR [Manoel Serrão]
Ânsia não é amor se for precisão.
Nem é amor se for dependência.
Amor e ânsia não formam pares,
Nem trocam alianças.
São predadores.
MUTISMO [Manoel Serrão]

Quando falo, digo nada.
Quando calo, digo tudo.
Entre falares, e não dizeres nada?
Ou calares, e dizeres tudo?
Imprescindo do mundo, e do sábio silêncio do "mudo".
LOBSHOMEM [Manoel Serrão]
À hora no plenilúnio em desoras,
Quando choro e fico às sós?
Sou quão os homens: amo os cães!
GUERNICA [Manoel Serrão]

Repica o sino.
E o céu da Guernica ruiu
Chuva de fogo!
BLUE AZUL-CÉU [Manoel Serrão]

ICONOCLASTA [Manoel Serrão]

Signica.
Retrofitica.
Ou, escrita-a-Porter.
A palavra pedra atirada,
Veste o peso da língua.
LINHA DO TEMPO [Manoel Serrão]
Apressou o passo.
Quis voltar, era tarde!
Ó jaz no pó [D] ali.
POETRIX: É constituído com no máximo 30 (trinta) sílabas métricas distribuídas em 03 (três) versos (terceto); dissidente dos hai-kais, de origem japonesa. Mas diferentemente do ha-ikai, é exigível o título do poetrix, que não entra na contagem silábica e pode dá complementariedade ao texto
ADVÉRBIO DE NEGAÇÃO [Manoel Serrão]

Não para a difama de plantão,
Não para a refalsia do perdão.
Não para a neo-per capita canibal,
Não para o engodo da comuna social.
Não para o Éden de “Lutero” -, a “salvação”,
Não para o Ágape de privo do coração.
Não para a “falta” de terra, circo e pão,
Não para o bunker frio hóspite da solidão.
Não para o nerd control ermitão,
Não para o cyber @ à servidão.
Não para a lama do Congresso Nacional,
Não para o mau da violência capital.
Ó “Não” para o “não”. Não! Não! Não!
Não para a hipocrisia do politicamente correto da canção.
“Não”, “não” e “não” lhes dês avec o não.
Mas também lhes dês do Sim u’a mão...
Um bonjur de sonhos...
E a luz dial d’um Sol Nascer o Bem para os Homens.
Comentários (1)
Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.
