manoelserrao1234

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n. 1960 BR BR

n. 1960-04-19, São Luis - Maranhão

Perfil
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ÓCIO [Manoel Serrão]





Ócio... Ócio...

Ócio só é dócil se conciso.
Senão: vira ópio, negócio,
Divórcio ou caso de hospício!



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Biografia
Perfil Nome completo: Manoel Serrão da Silveira Lacerda. Idade e naturalidade: Nasceu em São Luís [Atenas Brasileira] capital do Estado do Maranhão, na Santa Casa de Misericórdia, em 19 de abril de 1960. Filiação: Filho de Agamenon Lucas de Lacerda e de Oglady da Silveira Lacerda. Neto paterno de Manuel Lucas de Lacerda e Maria Antônia Lucas de Lacerda; neto materno de Hidalgo Martins da Silveira e Maria José Serra da Silveira. Ascendência geral de espanhóis e portugueses judeus. Profissão: Advogado e Professor de Direito, formado pela Faculdade de Direito do Recife - UFPE, curso criado pela Carta Lei de 11.08.1827 - publicada em 21.08.1827 - Chancelaria Mor do Império do Brasil, que no passado acolheu dois presidentes: Epitácio Pessoa, em 1886 e Nilo Peçanha, em 1887. Acolheu outros nomes, os quais enriqueceram a nossa cultura como: Rui Barbosa. Castro Alves. Augusto dos Anjos. Ariano Suassuna. Miguel Arraes. Francisco Julião. Barão do Rio Branco. Barão de Lucena. Joaquim Nabuco. Fagundes Varela. Raul Pompéia. Tobias Barreto. Graça Aranha. Álvaro Lins. José Lins do Rego. Pontes de Miranda. João Pessoa. Clóvis Bevillaqua. Silvio Romero. Adolfo Cisnes. Assis Chateaubriand. Agamenon Magalhães. Luís Câmara Cascudo. Aurélio Buarque de Holanda, e tantos mais. Dimensionar a origem do berço poético do autor, assim como a dimensão e a importância do Maranhão para a cultura nacional, peço vênia para transcrever um pequeno trecho da obra do imortal membro da Academia Maranhense de Letras o professor Jomar Moraes, intitulada - Apontamentos de Literatura Maranhense - edições sioge - nota bene: "Sem receio de qualquer exagero chauvinista diríamos que a presença do Maranhão na literatura nacional se caracteriza, principalmente, pelo vanguardismo que sempre colocou nossos homens de letras à frente dos debates das novas ideias e da renovação de padrões estéticos. Do negrismo de Trajano Galvão ao neoconcretismo de Ferreira Gullar; do ideário estético e nacionalista de Gonçalves Dias às antecipações modernistas de Sousândrade; da lucidez analítica de João Francisco Lisboa ao ensaísmo da Franklin de Oliveira e Oswaldinho Marques; dos estudos folclóricos de Celso Magalhães ao romance naturalista de Aluísio de Azevedo; dos estudos de Nina Rodrigues à renovação estética pregada e apoiada por Graça Aranha, tudo revela e comprova a clara vocação de pioneirismo e liderança que assinala uma das mais características e importantes facetas da nossa participação na cultural nacional". E ainda, de Coelho Neto, Teófilo Dias, Vespasiano Ramos, Raimundo Teixeira Mendes, César Marques e muitos outros de uma constelação que brilha desde meados do século XIX. Dois dos quais – Gonçalves Dias e Teófilo Dias – são patronos de cadeiras na Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras, à Akademia dos Párias, dentre eles: Fernando Abreu, Paulo Melo Sousa, Garrone, Paulinho Nó Cego, Marcello Chalvinski, Zé Maria Medeiros, Celso Borges. Podemos citar: Arthur Azevedo; Catulo da Paixão Cearense; Bacelar Vianna; Bandeira Tribuzi; Padre Antônio Vieira [Sermão aos Peixes]; Odorico Mendes; Sotero dos Reis; João Francisco Lisboa; Gentil H. de Almeida Braga; Custódio A. P. Serrão [Frei]; Trajano Galvão; Josué Montello; Nauro Machado; José Sarney; José Chagas; José Maria Nascimento; Laura Amélia Damous; Luís Augusto Cassas; Alex Brasil, Antônio Miranda, Carlos Cunha, Dagmar Desterro, Joãozinho Ribeiro, Lago Burnett, Odylo Costa, Roberto Kenard, Salgado Maranhão, Vespasiano Ramos, Joaquim Haickel, João Batista Gomes do Lago; Mhario Lincoln; Lenita de Sá, João Paulo Leda, Evilásio Júnior, Antônia Veloso, Luiza Cantanhede, Zélia Maria Bacelar Viana, além de muitos tantos outros.

Poemas

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O DESDÁ-O-NÓ [Manoel Serrão]



Qu’inda à escave.
Qu’inda à esterque.
A vida, mais que tudo:
É sempre O ater-se,
E nunca O atar-se.



Esta obra, ora analisada, dispõe de um palavriado ‘alienígena’ muito pertinente às ideias diferenciadas de Serrão, em sua construção lírica. Até, muito pertinentes às escritas por Gaston Bachelard: "O exterior e o interior formam uma dialética de esquartejamento, e a geometria evidente dessa dialética nos cega tão logo a introduzimos em âmbitos metafóricos. Ela tem a nitidez crucial da dialética do sim e do não, que tudo decide. Fazemos dela, sem o percebermos, uma base de imagens que comandam todos os pensamentos do positivo e do negativo".  

Na minha interpretação geral, como pintar uma tela com um milhão de cores invisíveis, porém, com a sensibilidade indelével de se fazer notar a olho nu. Leia: 

“Qu’inda à escave./ Qu’inda à esterque./ A vida, mais que tudo:/ É sempre O ater-se, / E nunca O atar-se.”. 
Este é Manuel Serrão que Thomas Stearns Eliot deveria ter conhecido, se em carne e osso ainda aqui estivesse. Talvez reforçaria a sua frase ódica mais lembrada entre os poetas: 

“Um clássico só pode aparecer quando uma civilização estiver madura, quando uma língua e uma literatura estiverem maduras; e deve constituir a obra de uma mente madura. E a importância dessa civilização e dessa língua, bem como a abrangência da mente do poeta individual, que proporcionam a universalidade. (...)”. 

Mhario Lincoln                                                                                   
Presidente da Academia Poética Brasileira                                          
Curitiba, 14.02.2018.



Mhario Lincoln é editor-sênior da www.revistapoeticabrasileira.com.br - Acredito eu que a POESIA e a Literatura especificamente, deveriam ter um tratamento mais razoável neste País chamado Brasil. Que não só os folhetins novelescos repetitivos e enfadonhos a se perpetuar, cada vez mais, no ilusório coletivo. A poesia deveria (como estamos tentando fazer em nossas publicações) ter um lugar especial. Por exemplo, Antonio Candido de Mello e Souza, sociólogo, literato e professor universitário brasileiro, estudioso da literatura brasileira e estrangeira, pensa igual: 'A literatura é pois um sistema vivo de obras, agindo umas sobre as outras e sobre os leitores; e só vive na medida em que estes a vivem...'. Então, se não há produção literária, não há leitores e não havendo leitores, não sobrevive, por si só, a literatura.(...)" #domeulivro ML

Mhario Lincoln é editor-sênior da www.revistapoeticabrasileira.com.br

3 162

Ödipuskomplex [Manoel Serrão]




No caráter, fora Hamlet.

No destino, fora Édipo,
Mas no elo do trágico?
Ó fora FREUD!!!!
 
1 817

VIRTUOSA DE PORTUGAL [MANOEL SERRÃO]

Vede se lhe fazem bem? Vede que altivos sobre mirrados,
Sobre afogados, pobres e miseráveis, se ti querem o bem!

Ó vejam se pisados e perseguidos dos homens gemem, agonizam calados?

Se sobre o planisfério de perplexo espanto, põe-nos subsumidos amados.

Segues, ó virtuosa musa de Portugal! Segue no teu canto o fado aos homens encantados.

Segues a rapsódia dos teus versos de amores brandos, e o purgativo inferno o teu império, tu amais orando.

Vês! Não vês que tua mentira bramida nunca fora mágica da vara de Merlin.

Olha que cedo ou açodado o tempo rapace...
Amar sem vê a alma e o coração?
É amor que não há nem houve, e nem haverá.
Faz dos amores rompantes desencantos.
E como se fora muito firmes;
Faz dos amores ideados fundados sobre castelos...
Ó com que tanto pensaras amar na vida assim?
Apenas os sonhares de um amor conúbio sem despedida!
Mas na terra das pedras e do Sol, acaso vendo o engano da esperança...
Do amor desistirias?




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E EROS ESPERA [MANOEL SERRÃO]




Co’a face rosa em tez rubra sã em largos risos,

Quão n’A boca carnosa virgem um terno beijo.
Tu que és por gênio – o desejo - fulgor incontido?
Ó não os dês! Não os dês, ó gloriosa, diva Musa.
Não os dês, pois, crua e pura teu deleite nua!

Ó não os dês, pois, não os dês aos maus sentidos,
Nem aos vis, doces tetas, os dês aninhos: ouvidos!
Não os dês aos maus ouvidos a quem te ama,
Infecta-se d’alma anóveas pelo fado da lama.

Ó vens tê-la gentil bela flor aos meus sonhos.
E diríeis a rir-se de si em leve áureas a cantar.
Que dia após dia, o vosso amor que me fias: é:
Ditoso sobejo encantado, elo da vossa bel prazer
Ó vens tê-la gentil bela aos versos que me crias.

Ó sem vês, há uma flecha amorosa no meu coração.
Há este amor que n’Ele há de tão pio na minha oração,
Há n’Ele há que s'espalha adejante na minha canção.
Ó quão feitos um para o outro e não vens pra sonhar!
Ou será tudo qu’eu nada sou aos olhos do vosso amor?

Ó vens!  Se não vens ao meu circ’lo de fogo...
Sejais bem-vindo a
 vós mesmo amor!
Se a espelha rasa trincou... E Eros espera!...
475

ESPERANÇA! BOA ESPERANÇA (MANOEL SERRÃO)






Sentimento de quem vê como possível

A realização daquilo que deseja.
Esperança! Esperança! Esperança!
Esperança mesmo quando não há esperança para isso.
437

SEM TIRTE NEM GUARTE [Manoel Serrão]






Nenhuma Arte à pArte,
É Arte flama que arde.
Nenhuma Arte é pArte,
Arte tirte nem guArte:
Arte se não compArte.


 
400

PROMETEU ETERNO [MANOEL SERRÃO]



Ó vibrai-o o rijo punho! Deixai-o de ser o amargo remédio dos teus infernos.
Deixai-o levar o fogo divino de Prometeu eterno ao vosso Ente cego.
Deixai-o Mundo Novo e o Velho Mundo pronto e acabado vos levar ao Mundo Futuro Novo começado!

Oh! Que belos olhos! Sonho guardião do fogo Eterno. 
Ó que belo Mundo ideado! Belos são os olhos verdes-claros do todo dominado Mundo inacabado.

Belo! Belo! Belo Mundo pela cor do tom tornado o acreditável,
E o pleno acreditado no Futuro Mundo Belo.
Belo! Belo! Ó Mundo belo! Todo belo Mundo em tudo começado.

Ó catarse! Ó cães! Ó aves cheias de graça dos mundos plurais habitados!
Ó por que não faleis. Dizeis o que vieste dizer? Dizeis do óbvio que o homem não ver? Ouves: os homens que sofrem sem sonhos e sem saber precisam nascer e florescer!

Ó Bendicto sejas tu saber, invasor! O Mal belo ‘sta na pedra bruta e o Bem belo n'alma do saber!
O Saber! Não o Saber que se desenha de um hoje-amanhã que sustenta o falso,  mas que se mostra como Mundo verdadeiro! Ó não é sonho nem saber! Porque se sonhar saber faze-o sofrer, não sonhar saber faze-o morrer!

Ó a quê Mundo tudo deveis saber? E de que tudo podeis sede possível – tornar-se – o Tudo é Possível Sonhar - quão saber do Mundo - Saber como O Mundo derradeiro?

Eia, bela quiromante bela, predica é-lhes o futuro? Não os vês?  Não vês qu’inda dos clãs por não saber vagam bandos, brutos, rudes e rugem os bárbaros sonhos nunca maiores do que as palmas das mãos!
Ó louvado sejais vós! Saber é uma estrada de luz, na floresta da Noite e das sombras.

Ó vibrai-o o rijo punho! Vibrai-o!  Às armas, sonhos, às armas, saberes!
Que a arte seja a vida e a vida arte da poesia que se cria por saber, não seja apenas sonho que se acaba sem Vida e Sonho por não saber sonhar nem viver: não há vida nem sonho!

Ó Homem-futuro-do-Saber-Sonhar sem o Mundo Escuro à Luz-Sol com que Sonhara saber sorrir... Depós de muitos sábios conselhos, saber? Saber, não é sonho!

 

 

 

 
547

AXIOMA DE AZEITONA [MANOEL SERRÃO]





Meu axioma não agrega e nem soma... Meu axioma?

O meu axioma é puro genoma de oleosa azeitona.
É xucro azorrague alma de abobrinha que azucrina.
É gumma de beiju com angu, pirão de puba que assoma.

Meu axioma que não soma e nem adiciona... Meu axioma?
O meu axioma é ázimo, aziago de azinhavre; e
spique negresco de azevinho;
brinda de zinabre venosa que fermenta a vida com azia.

Meu axioma é azedume de conserva; picles de alho com pimenta; ruge e batom de urucum; o meu axioma é pó compacto de amido com maizena.

Meu axioma que não sonha com o pincel da Faber-Castell,
É rímel, míssil atômico no céu anil da babel.
É azo fétido de arroto azebre, vomito, baba de quiabo, golfa de babosa com conhaque da Barra.

Meu axioma é bafo ofídico, fermento e bacilo no iogurte de Baco.
É lata velha sem ABS e air bag automático, é quão pitiu de sovaco e morrinha bactéria sem Minâncora de bácoro.
Meu axioma é premissa necessária axiomática, verdade auto evidente e oculta que não se demonstra, mas escarra-me demente!

É cusparada nauseabunda de “razões” opostas que dessemelham.
Oh! E quão toda axiomática ilusão: meu axioma é inverdade real
no prato da necessidade...
Ó meu axioma, é não ter axioma nenhum!

 

 

 

 

 

 

 

 

 
752

HOMÚNCULO [Manoel Serrão]


D'ingrata o labéu desdouro amaro-a-bílis negra do vosso fel.
Ostento em terra os pés do que servil o insano que abraça o vil, e o vil sano que abraça o homem desfigurado em figurante papel.
Não! Não sou o Pégaso, nem o Ego-rex “solipso” dos vossos desfastos solitários.
Não! Não sou o verme senil, nem a rês do canzil das vossas cobiças inconfessas.
Não! Não sou a presa inútil no calabouço da vossa purga, tampouco o surto suplício de Tântalo: tão perto e, tão longe, tornado a pedra agastada do vosso anel.
Ó vês, sei d’Eu tanto quanto mais sei do que sei quem sou, e do que sei, não sabendo, eu, que não sei o que sou, assim como não sei, também não penso saber que sou: ora uns recheios de nãos, ora Outras vaguezas de sins! 
Inda incréu sem me saber sobrevido ao oblívio da morte, solitude soluçada, queiras ou não: por migalhares a verdade da vossa risada; sou O capitão da minha interioridade livre ou sitiada; sou A gota suicida, a bátega afogada sob o crepom azul do papel; sou um par de asas supra no meu caduceu.
Assim, ora homúnculo um pixel de mim; ora Enoque gigante que "andou com Deus" avoante ao céu! Sou O meu próprio e o único Ser-a-afim nessa Babel













































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BÁRBARA (MANOEL SERRÃO)

Eia, tu onde vais! Onde vais que desliza entre m'alma e mim, mascando-me o corpo até que o sangue espanave-me a carne!

Eia, tu onde vais! Onde vais que desarvora-me das ameias, pondo-me de joelhos até que o rés condene-me à mea-sorte!

Eia, tu onde vais! Onde vais que voraz e perfídica feriste-me por érea forte a gratidão, e a rima inobrecida até a morte!

Eia, e tu onde vais! Onde vais? Onde vais para que todos saibam que te sofre aquilo
Que te faz sofrer na tua brutidão? 


Eia, inda, assim, ó purusha, bárbara podridão?
Serei completa ação espiritual e eterna poesia aos olhos do coração!
E eia tu, ó Bárbara, diz-me: onde vais? Quem te morreu!


* purusha: humano ou humana no sânscrito.
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