BÁRBARA (MANOEL SERRÃO)
Eia, tu onde vais! Onde vais que desliza entre m'alma e mim, mascando-me o corpo até que o sangue espanave-me a carne!Eia, tu onde vais! Onde vais que desarvora-me das ameias, pondo-me de joelhos até que o rés condene-me à mea-sorte!
Eia, tu onde vais! Onde vais que voraz e perfídica feriste-me por érea forte a gratidão, e a rima inobrecida até a morte!
Eia, e tu onde vais! Onde vais? Onde vais para que todos saibam que te sofre aquilo
Que te faz sofrer na tua brutidão?
Eia, inda, assim, ó purusha, bárbara podridão?
Serei completa ação espiritual e eterna poesia aos olhos do coração!
E eia tu, ó Bárbara, diz-me: onde vais? Quem te morreu!
* purusha: humano ou humana no sânscrito.
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