Lista de Poemas
UNDERGROUND [Manoel Serrão]

Passo
a passo
um
degrau...
Vivo
no diviso
Front que separa
O verso unforgettable,
Do indiviso underground.
TRAVESSURAS (Manoel Serrão)
Era um quintal;
Era um terreiro;
Era um lugar de correr e pular.
Era uma vida de empinar pipa amarela e cantares;
Era bela! Bela! Bela! Uma vida tão bela de peripécias e sonhares.
Assim,
desde bem pequenininho,
sujeito-criança do verbo conjugado imaginar,
a que se cria O D'us encantado?
Hoje olho a vida pela brecha da paisagem morta,
E não vejo o Mundo vivível sem (o) ferrolho na porta.
PIPA SOLTA DA PSIQUE HUMANA (Manoel Serrão)
Empina, lanceia o Ego, guina o ID
Partiu-se a zero, rompeu-se o elo
Quebrou-se o Self e poder do Rex.
Na ronqueira da pipa solta?
O vento zumbe, a incônscia zoa.
E a razão livre da pessona tola,
Cambalhota alta pelo céu avoa...
ANTROPOCENO [PONTO DE MUTAÇÃO] [Manoel Serrão]
Ó tu que dizimas em torturas a Terra que se consome.
Que subtrai das piracemas a vida contra a corrente.
Que poluís rios, veios d’águas, bicas, oceanos e mares.
Que atiras à rés floresta, matas ciliares e árvores.
Que ceifas aves, insectos e todos os seres criados.
Ó tu que dizimas em torturas a Terra que se consome.
Que baforas dos canos monóxido de carbono.
Que sufoca de fumaça tóxica e metano o Ox dos ares.
Que lanças ao colo Mater: o lixo do luxo do vosso conforto.
Que selas de betume o barro e asfalto a verdejante relva.
Ó tu que dizimas em torturas a Terra que se consome.
Que arranha-céus de concreto e aço enfeando o espaço.
Que alteras os célsius e roazes geleiras avultando os mares.
Que degradas a bioface e a Geo matéria física da Terra.
Que condenas o futuro da era natural gravada na pedra!
Ó tu que dizimas em torturas a Terra que se consome.
Não vês qu'tua sorte contra o tempo e a morte, será apenas lembrança tatuada na pedra lascada?
Ó Ser contra o Sol que se apaga, haverá de vir outro sol se acender?
Ó Ser contra a Lua de Jorge, haverá de vir outra lua por sorte?
Ó Ser contra as forças do Universo, tornarás mutáveis o que são imutáveis?
Ó não vês? Estúpida humana que hecatombes e reboados trovões estão por chegar?
Ó não vês? Estúpida humana, que almas pias serão escravas d'um sistema que se anuncia?
Ó não vês? Estúpida humana, que deveis do mundo cuidar, evoluir e transformar.
A dimensão coletiva do sujeito?
Sabeis! Se dela não vos tendes piedade, dela não tereis no destino, à vossa piedade no futuro!
Há um formigueiro de bocas com Oito bilhões de outros, enramando-se sobre a Terra coberta de pedra!
Sabeis! Se não sabeis! Sabeis que a vossa eternidade não irá de além da curva dos dias,
Como a soma da humanidade em partes sequer resultará num só homem [inteiro].
Ó cioso [a] Deus [A] Universo que tudo sabe, ordena, prevê, defende e repara:
É da Gaia aos humanos o desejo que desses erros, os pudessem perdoar,
E os fizessem da culpa saber que estão perdoados por cuidar.
Ó eia o Xis da questão, onde habita o Ponto de Mutação!
O presente indigente mais que imperfeito está doente...
Ó Gau! E eles não sabem que jazem?
DÊS] . [CENTRO [Manoel Serrão]

Dês] . [Dês
Dês] . [Centro
Dês] . [Cético
Dês] . [Concerto
Dês] . [Concreto
Dês] . [Dês
Dês] . [Juízo
Dês] . [Parâmetro
Dês] . [Julgado
Dês] . [Engano
Dês] . [Dês
Dês] . [...
Dê] . [Dê
Dê] . [D’ modo ético: o alvo, a meta, o plano.
Dê] . [D’ modo o imanente, o urgente.
Dê] . [D’ modo múltiplo, o plural, o singular, o simultâneo.
Dê] . [D’ modo expressão ao potencial inerente.
Dês] . [Dês
Dês] . [Centro
Dês] . [Nó emergente
Dê D o modo D crescente sem cetro [O] crescente.
AFAGO POUCO [Manoel Serrão]

Afago que não passa troco.
Afago que sonega o outro:
É poço que afoga o choro.
É vento que apaga o fogo.
É fel que amarga o doce.
Afago, sonegado ou pouco,
O que há de não fazer no afogo,
quando o afago sonegado ou pouco,
Não o afaga solto?
Ó tanto mais se si ilude!
A troco d'um afagar,
ao se dar se pensa pouco.
O que há de não fazer chorar?
ALGUÉM ME DISSE! [Manoel Serrão]

DEDICO-O IN MEMORIAM DO MEU PAI
[AGAMENON LUCAS DE LACERDA]
Com o arco-íris que não sonhei pensar...
Alguém me dissera: um dia as cores iriam mudar.
Falou-me que as haveriam de desbotar.
E deu-me um sábio conselho:
Cumpre-a com amor e ternura, e haja o que houver, honre-a, custe o que custar.
Cego de mim não "ouvir" e sequer "encarei" seu terno olhar.
Duvidar do que o Homem dizia? Duvidara!
E a vida rio ao mar,
Me fez saber pelos braços do destino, caminhar...
Hoje sem poder abraçá-lo, e, sem duvidar do que o Homem dizia:
De saudade choro até soluçar!
Comentários (1)
Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.


