ÓCIO [Manoel Serrão]

Ócio... Ócio...
Ócio só é dócil se conciso.
Senão: vira ópio, negócio,
Divórcio ou caso de hospício!


Onde a poesia triunfa,
Nenhum poema se basta.
Onde a esperança desperta,
Nenhum sonho se acaba.
Onde o sonho sonha...
Sonha porque sonhos
E poesias não são em vão!

Dão-no por tempestivo, bem concebido, recebido (cor)respondido, e bem preparado.
Ó vê-se não quadram reparos! E subira ao "reino" (ao) encantado.
Daí acolhido do verbo o Apelo e do verso o Acórdão: decidiu-se (o) poema?
De resto, cumpre ao poeta, e o faz, valer-se da poesia salvante a beleza do mundo.
Mas decidido, se não constar haja, na forma do coração!
Sem custas ex lege.

Belo afã, sedosa lã d’um só novelo. 
E ei-los ai distraídos!
Anjos belos mais-que-perfeitos,
Ó deixai-os livres, deixai-os...
Vês que às vós e nós se assemelham.
Ó vês, n'almas ocultas, onde a beleza se elabora?
Guardais o elo, os nós, e sê-lo-emos todos iguais e diversos,
Anjos imperfeitos que dessemelham inda mais belos!

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