Nado sem água
Respiro sem ar
Enxergo sem luz
Sinto sem pele

Queimo-me sem fogo
Falo sem boca
Penso sem mente
E morro sem vida

Tudo que me torno e sou
São em palavras escorregadias
Que me deslizam
Para lá e para cá
Atravessando suas ruelas
E vejo nas varandas das casas,
Todas as suas vidas, roubadas ou não.

Prosadas ou não,
Perfeitas ou não.
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