RAISON D’ÊTRE [Manoel Serrão]
D’onde venho? Lá d’onde venho o hálito do vento é quente,E o sol é do oscular vermelho em brasa.
D’onde venho o amor é de quem consola,
E não da mulher que ama a casta.
Lá d’onde venho?
D’onde venho os antípodas são fantasmas,
E os malditos são abutres.
D’onde venho o desprezo imporcalha a urb
E a miséria feal assusta a fome.
D’onde venho?
Lá d’onde venho da metrópole-pós-industrial,
O amor e a vida são fuligem,
São fumaça quão detrito de indústria.
Lá d’onde venho só há homens pelo avesso,
Cada um cobrando o seu preço sem tabuleta de endereço
E a pandêmica xenofobia racial.
Lá d’onde venho não há raison d’être.
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