Florescer no vento

Quem dera pudesse eu presentear-te com sorrisos
Mais nobres e resgatar do tempo este tempo que sobra
Inabalável ardendo insano penetrando na caligrafia dos
Silêncios mais profanos.
Deixava em rodapé um diligente sorriso temperando
O olhar refinado e decano
Fica por florescer no vento aquela gargalhada blindando teu
Ser que revisito em cada memória mais exponencial adoptando-te
Para sempre qual sorriso devastador despindo a madrugada que
Pesco em perfumados odores a rosmaninho do qual me tornei
Um fiel consumidor
No quintal do tempo plantei teu olhar faceiro aprumado
Germinando pelo canteiro da vida que desperta consumada
Agitando todos os anseios de minh'alma emaranhada em ti num
Subliminar momento que recordo sublimado
Despi o corpo do silêncio franzino e esbelto deixando a nu cada eco
Trajado de mil dialectos implícitos num acto de amor intacto onde
Acalanto meu poema inquieto, cerzido em sonhos fundidos em cada
Imutável afago luminescente que avidamente assim arquitecto
Dá-me somente coragem para que nas brisas adocicadas
Da madrugada nos enfeite-mos de beijos selectos e solidificados
Adormecendo por fim a noite encurralada nos abraços que ficaram
Em nós levedando tão replicados
Frederico de Castro
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