O tempo parece alongar-se nesta mudez,

Tornou-se uma rotina que afastou a vontade,

Vontade de encerrar os olhos e o dia,

Proibindo a alma de abalar do seu habitáculo,

O meu corpo.

Não tenho vontade de dormir, tenho sim,

Necessidade de sentir-te, auscultar-me em ti,

Silêncio.

Nesta ausência de frenesim, nesta ausência em tudo,

Hipnotizo-me em sonhos, pensamentos, criações

Que não são nada mais do que vontades,

Necessidade de ouvir-me com quietude.

Iniciou-se, iniciou-se o cansaço que leva à exaustão,

Adormece o corpo, mas não a alma.

São palavras e rodopiam entre si,

Ocupando-te, antes vazio, silêncio,

Agora repleto de sentimentos e juízos,

Embora ainda ausente de imagens.

Mergulhaste neste espaço, de rompante,

Cedendo à minha vontade de tranquilidade

E agora, que fazemos os dois?

Bailamos em segredo, trocamos vontades?

Sim, talvez ...talvez...

Dar-te-ei a visão de um mundo, onde não existes

E em troca ofereces-me a pausa, o descanso, a calma,

E a paz interior... se disso fores capaz.

Na verdade, silêncio, se és ausente de sons,

Porque te ouço com tanta exactidão?

513 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.