da intermitência
encontrei uma imagem de um chão empedrado, com hastes de flores a rebentarem das reentrâncias,
e lembrei-me de ti.
tal como aconteceu com aquela foto desfocada, ou que me parecera desfocada naquele dia,
tal como aconteceu com aquela foto desfocada, ou que me parecera desfocada naquele dia,
em que me lembrei mais de ti por falta das lembranças que queria de ti.
o presente / ausente
do imaterial
é uma massa tão bruta quanto delicada
em que tanto contam os acidentes físicos, palpáveis e que se podem medir,
como as balizas frágeis do tempo:
muito ou pouco, que passa depressa ou escorre devagar, do faltar pouco ou muito,
dos dias que conto para ti ou sem ti.
o sorriso tímido,
aquele que não sabe bem para onde ir,
se para o lado em que se abre mais ou se para a outra banda, a da clausura,
pincelado a açúcar mascavado,
assemelha-se ao redondo mais-que-perfeito do intervalo para ti.

Nathaniel Merz
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