Chiaroscuro
o teu silêncio caiu na zona mais-que-perfeita entre a verdade e a dor.
A terra de ninguém, metade medo metade incerteza.
na guerra é terra temida, aqui é terreno desejado porque necessário.
era verão, mas o discurso saiu-me gelado como o sangue das feridas de Inverno.
tinha ensaiado durante largo tempo as palavras escovadas de sentir.
bati-lhes com força, até que cada partícula que costuma carregar emoções, se deixasse de brincadeiras, mariquices sentimentais (entendes?!) e se fingisse pedra.
foi nesse estado de sílabas mortas a construir um túmulo durante dias já a contarem-se em milhares, que decidi alinhar-te as partículas metade pedra, metade gelo.
deitei-as no lençol de seda e soprei.
as palavras sem carne, reduzidas a ossos, são mais cruas que os exercícios estéticos de depuração.
essas palavras, as palavras-cadáver, preenchem e definem o que sobra, quando erguidos do caos.
a luz, a sombra, o volume, a profundidade, a forma que se redesenha.

Jean Dieuzaide | Racine de Saule, 1969 | Musée Réattu
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Pedaços de ilusões ! - 09/09/2026
Pedaços de ilusões ! - 09/09/2026
Sinto pedaços de ilusões
Adejando em minha mente,
São vel…
Armando A. C. Garcia
zumbilésbia
ela foge e a cidade está tomada o camarada surge em sua mente qual mestre dos magos orientando-lhe na fuga que a situação é de luta todos…
Kátia Surreal
If I didn't had your love
If I didn't had your love My Father I would not be able to live Without your love Please Father give me Some love Because I know that You…
Aldo gabbay kraas
as músicas que escolho
posto poucas não há segredos só pretextos uma falsa trilha sonora regendo o percurso do dia hoje então me descubro quase um segundo quem…
Kátia Surreal