Querer
À conta do intervalo estudado entre as palavras, aprendemos a conter a vertigem.
Repetir para aprender. Repetir para não esquecer.
O traçado da zona em que se aloja a intersecção do lastro da tristeza
com o leve da cortina de sorrisos que varre os dias.
Ficar assim.
A tocar nas estrelas que desenhámos a brilho dos olhos.
Sem pronunciar as palavras que dissemos antes.
Voltámos a pegar em tudo,
no nós imenso,
e guardámos na caixinha dos segredos.

Mário Cabrita Gil
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