Cegos nós
A ti não darei
nem mais um segundo
de meu tempo,
nem mais uma nesga
de minha alegria,
nem mais uma gota
de minha lágrima,
nem mínimo alqueire
de meu coração...
Acabou então, agora,
neste instante, e de há muito
só não havíamos notado
o cadáver em nossas mãos
para que velório, cerimônia
enterro, crematório
neste sepulcro hipócrita
denominado casamento,
simulacro de vida,
feto irrealizável,
corvo em meu ombro,
túmulo do amor
É chegado o momento
em que as duas pontas,
então entrelaçadas,
apertam o vazio,
sufocam o passado,
como cegos nós,
cada uma para diferentes lados
O que inexistia toma forma
e se torna insuportável:
o nojo, o enjôo,
o asco, recíproco e inexorável
escorrem pelas paredes e vísceras,
a culpa é multiplicada, nunca dividida
e somada por cada um,
computada ao outro
Quem deitou sementes de engano
em solo inadequado?
quem jogou sementes de mentira
em terreno arenoso?
Como fomos cegos nós, ao acreditar
que de semeadura desditosa
viríamos ao acaso colher amor...
nem mais um segundo
de meu tempo,
nem mais uma nesga
de minha alegria,
nem mais uma gota
de minha lágrima,
nem mínimo alqueire
de meu coração...
Acabou então, agora,
neste instante, e de há muito
só não havíamos notado
o cadáver em nossas mãos
para que velório, cerimônia
enterro, crematório
neste sepulcro hipócrita
denominado casamento,
simulacro de vida,
feto irrealizável,
corvo em meu ombro,
túmulo do amor
É chegado o momento
em que as duas pontas,
então entrelaçadas,
apertam o vazio,
sufocam o passado,
como cegos nós,
cada uma para diferentes lados
O que inexistia toma forma
e se torna insuportável:
o nojo, o enjôo,
o asco, recíproco e inexorável
escorrem pelas paredes e vísceras,
a culpa é multiplicada, nunca dividida
e somada por cada um,
computada ao outro
Quem deitou sementes de engano
em solo inadequado?
quem jogou sementes de mentira
em terreno arenoso?
Como fomos cegos nós, ao acreditar
que de semeadura desditosa
viríamos ao acaso colher amor...
Comentários (1)
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2012-08-22
Teus poemas tem encantos que nos fazem sonhar ir de encontro a realidade voar por ai em asas que a saudade nos deu.Parabéns
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