Coração é terra que ninguém anda

É órgão que inflama que reclama...

Desiludido pelo sentimento que engana

Coração partido de saudade leviana.



Coração é traído pelo desejo

Manipulado pelo beijo, subordinado pelo seio...

Ludibriado pela malícia do meu pensamento

Funeral sem cortejo, fome sem sustento.



Coração é esculpido pelas mãos do destino

É imagem perplexa do desatino

Criança sem face, odre de vinho envelhecido...

No espelho do passado reflexo irrefletido.



Coração é valente nas batidas do peito

Estação de folhas secas carregadas pelo vento

Coração é covarde amedrontado pelo medo

É inverno sem saudade céu nublado e cinzento.



Coração é lápide de mármore, histórias frias

Que pulsa dentro ao peito, nas batidas pela vida...

Estranho pergaminho, de palavras escondidas

Do engenheiro lá do céu, a mais pura obra
prima.





Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Março de 2002 no dia 26

Itaquaquecetuba (SP)
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