Circense
Um animal detrás de uma teia de metal
olha o mundo com a apatia dos zumbis,
que é muito transtorno para um bicho
estar impedido de tudo, então, chorar
é o melhor tédio, e o animal se amua
e recua, avança a pata que alcança
o nariz e se coça diante da moça - mossas
ambos as têm - que é assim a vida de bichos
na esquina na praça no mall no adro
no circo no qual nos damos na linha de frente,
ouvindo com nitidez o riso solerte
da sombra, os braços do amor caindo
do trapézio. Aonde quer que se vá, um animal nos mede.
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