Sereno cais de abrigo

- para os meus filhos Lucas, Ciro e Noemi
Engravidei as memórias com palavras
Prenhes de desejos namorando a lauta
E melodiosa manhã que enxuta, afaga
Esta esplendorosa luminosidade tão arguta
Ah...sim quantas saudades tenho dos teus
Murmúrios que em mim se engalfinhavam à bolina dos
Ventos mais astutos e quantas madrugas penaram nesta
Solidão ciscando o breu na noite que cai tão abrupta
Carcareja a manhã flamejando ao ritmo da solidão
Súbtil e intacta...ordenha dos meus lamentos inquietos
Pousando na vitrine das ilusões mais irrequietas
Deixo agora o olhar traquina do silêncio amarar entre
As lúdicas margens do teu leito selecto...sereno cais
Onde aporto o barquinho de todas as solidões tão diletas
Frederico de Castro
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