Vulto
O exercício de esperar na alça de mira
dias a fio é o que convém ao caçador
aflito pelo vulto que não se dá
à lupa, ciente de que rochas e árvores
têm ouvidos, mas
caçar tem refrão - menos o sim do que o não -
e assim, às vezes, o obsessivo mirar
não serve a quem, por trás da árvore ou da neblina
das palavras (caçar exige silêncio), se perde
na selva de memórias nas quais os tiros
saíram pela culatra, puro exercício de inquietação.
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