liberto os poemas...
pensei queimar todas as folhas
há só um senão
nada restará, nem o sonho
que ainda ouço de noite às vezes,
que a seu tempo acabará
quando a respiração for sustida
ao final desta alameda que é a vida
aos poemas dou nova oportunidade
retiro a condenação,
mas há um senão
que faço da saudade?
poemas ilusões por mim geradas
fazem parte de mim mesma
são mais fortes que todas as razões
são minha carne, meu pão
meu prazer, minha paixão
ilusões? pois que sejam ilusões!
o bálsamo com que mitigo a dor
o azevinho com que enfeito o natal
a quietude e o vendaval
a corda que me prende ao cais
custa-me a acreditar
que os queimaria e não os sentiria vivos
jamais...
vou mantê-los em liberdade
como o perfume das flores pela campina
e dizer-lhes da minha saudade
desse tempo de menina.
as flores encherão a terra
os versos flutuarão alheados ao tempo
só o eco da adolescência passada
virá ao ouvido ainda
derradeiro eco
neste poema que finda.
natalia nuno
Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=273403 © Luso-Poemas
há só um senão
nada restará, nem o sonho
que ainda ouço de noite às vezes,
que a seu tempo acabará
quando a respiração for sustida
ao final desta alameda que é a vida
aos poemas dou nova oportunidade
retiro a condenação,
mas há um senão
que faço da saudade?
poemas ilusões por mim geradas
fazem parte de mim mesma
são mais fortes que todas as razões
são minha carne, meu pão
meu prazer, minha paixão
ilusões? pois que sejam ilusões!
o bálsamo com que mitigo a dor
o azevinho com que enfeito o natal
a quietude e o vendaval
a corda que me prende ao cais
custa-me a acreditar
que os queimaria e não os sentiria vivos
jamais...
vou mantê-los em liberdade
como o perfume das flores pela campina
e dizer-lhes da minha saudade
desse tempo de menina.
as flores encherão a terra
os versos flutuarão alheados ao tempo
só o eco da adolescência passada
virá ao ouvido ainda
derradeiro eco
neste poema que finda.
natalia nuno
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