EM JEITO DE AUTORETRATO
Quantas vezes fui mar bravio e pedra dura
fingido herói buscando a força da floresta
aquele que no verão resiste como a giesta
no inverno se nega à força da sepultura.
Se fui terreno enlameado, porém não fui
a traiçoeira e falsa areia movediça;
e muito menos falsa ponte quebradiça
sequer aquele que em falsas preces se dilui.
Sou a força do mar bravo; e do vulcão
o fogo que aquece e que destrói. Sou e fui
a força vertical quando devo dizer NÃO
e o quebrar - sem torcer - da força da razão.
Jamais aquele que de ideias se prostitui!
__ Assim fui e serei sem qualquer inflexão.
in O SERENO FLUIR DAS COISAS, 2018, In-Finita Lisboa
antes publicado na Antologia Conexões Atlânticas II
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