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Soneto a Homero


Feliz eu seria se nascido Homero,
Poder homerizar meu próprio verso,
Elevar a lira com que prospero
Fictício e real no viver imerso.


Expor em "ilíacas odisséias"
As peripécias do labor poético
A ponto de matar por cefaléias
Os curiosos do pendor estético.


Depois, virar fumaça no espaço,
Deixando em suspense várias platéias
Até que a rolinha fuja do laço.


Mas, que fazer se não nasci Enéias?
Eis aqui minha lenha para o fogo
Desde que a luz mostre pros céus meu rogo.
***
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