VARAIS
Contrário à corte soberana
Resolveu-se que ao mesmo tempo
Todos devessem estender as próprias roupas
Num imenso quaradouro e seguir em procissão
E enquanto a nudez esteve explícita e exposta
A aldeola tornara-se naquela tarde
Embevecido e incrédulo festival de trouxas e enxovais
De lycra, jeans, algodão, brins
Tricolines, viscoses, sedas
A rendas
Balançando presas às cores
Pelo alto dos postes, prédios e quintais
Ocupando os pórticos e contornos
De uma nesga algazarra de peças
Misturando vertentes e valores
Assim a sociedade rastejante
Até então passiva, cega, inteira
Itinerante apreendeu a respeitar nua
Sem qualquer traje e pudor
Seus nobres e raros tecidos epiteliais, conjuntivos, adiposos
Ósseos, cartilaginosos, sanguíneos, musculares
Esqueléticos, lisos, cardíacos e nervosos
Efervescidos e fermentados pelos sabores de sais
Ópio, ócio e odor
Entremeio a pelos, excrementos
Suor, esporro e escarros
Condimentados, intumescidos
E outros fartos elementos animais
Tão próprios, comuns, até então sufocados, ignorados
Úmidos, ingênuos, diários
De quando andavam ostentados por pechas
E adornos ridiculamente banais
Incrível também como as roupas
Tornaram-se outrora muito mais nobres
Livres de seus corpos, estiradas nos varais
Resolveu-se que ao mesmo tempo
Todos devessem estender as próprias roupas
Num imenso quaradouro e seguir em procissão
E enquanto a nudez esteve explícita e exposta
A aldeola tornara-se naquela tarde
Embevecido e incrédulo festival de trouxas e enxovais
De lycra, jeans, algodão, brins
Tricolines, viscoses, sedas
A rendas
Balançando presas às cores
Pelo alto dos postes, prédios e quintais
Ocupando os pórticos e contornos
De uma nesga algazarra de peças
Misturando vertentes e valores
Assim a sociedade rastejante
Até então passiva, cega, inteira
Itinerante apreendeu a respeitar nua
Sem qualquer traje e pudor
Seus nobres e raros tecidos epiteliais, conjuntivos, adiposos
Ósseos, cartilaginosos, sanguíneos, musculares
Esqueléticos, lisos, cardíacos e nervosos
Efervescidos e fermentados pelos sabores de sais
Ópio, ócio e odor
Entremeio a pelos, excrementos
Suor, esporro e escarros
Condimentados, intumescidos
E outros fartos elementos animais
Tão próprios, comuns, até então sufocados, ignorados
Úmidos, ingênuos, diários
De quando andavam ostentados por pechas
E adornos ridiculamente banais
Incrível também como as roupas
Tornaram-se outrora muito mais nobres
Livres de seus corpos, estiradas nos varais
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